AVANÇOS AMBIENTAIS DAS EMPRESAS SÃO TEMAS POSITIVOS PARA RIO +10
Haroldo Matos Lemos - Superintendente do Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental

Existem motivos para uma visão otimista sobre a Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Rio + 10), que será realizada entre 26 de agosto e 04 de setembro próximos, em Joanesburgo, África do Sul. Se um entendimento construtivo entre os governos tem sido difícil de atingir, particularmente entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, o setor industrial alcançou um grande avanço nestes dez anos, desde a Rio 92.

As empresas, reagindo às exigências dos consumidores, foram responsáveis por uma significativa mudança de atitude em relação ao meio ambiente. O principal exemplo disso é a adesão voluntária de dezenas de milhares de empresas às normas internacionais de gestão ambiental. As normas técnicas da família ISO 14000 definem procedimentos universais que as empresas devem adotar para proteger o meio ambiente, através de sistemas que exigem transparência nas informações e certificação por auditores com credibilidade internacional.

As normas técnicas da família ISO 14000 definem práticas de gestão ambiental e de auditoria ambiental, criam procedimentos para a rotulagem ambiental e definem a técnica para a elaboração da análise do ciclo de vida de produtos. Esta última é uma ferramenta essencial para a identificação dos impactos ambientais de um produto, desde a retirada da natureza das matérias primas que virão a formá-lo, passando pelos transportes necessários, pelos processos de produção, pelo uso dos consumidores durante sua vida útil, até seu descarte final.

Ao implantar sistemas de gestão ambiental ou adotar programas de produção mais limpa, as empresas passaram a fabricar o mesmo produto usando menos energia, menos água e matérias primas, e a gerar menos resíduos para serem tratados. Passaram, portanto, a ganhar dinheiro com os cuidados ambientais. Por isso, meio ambiente e competitividade não são mais antagônicos como eram há 15 anos atrás. Como conseqüência, houve uma grande mudança na atitude empresarial em relação ao meio ambiente, de inteiramente reativa, nos anos 70, a pró-ativa, a partir dos anos 90.

Durante a reunião da plenária internacional da ISO 14000, encerrada em 16 de junho passado, diversas decisões demonstram os avanços ocorridos, destacando-se a aprovação para o início da elaboração de normas internacionais na área de mudanças climáticas. A elaboração destas normas foi aprovada por 30 votos a favor, apenas dois contra, e cinco abstenções. Os Estados Unidos, através de seu órgão de normalização, votou a favor do início dos trabalhos nesta área.

No Brasil, esta mudança de atitude se reflete nas mais de 700 certificações pela ISO 14001 até agora, no interesse demonstrado pelo uso da avaliação do ciclo de vida, e pelo extraordinário crescimento dos centros de produção mais limpa, localizados nas Federações das Indústrias do Rio Grande do Sul (o pioneiro, em 1995), de Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco.

Ainda existe muito a ser realizado, particularmente em relação às micro e pequenas empresas. O futuro exigirá ainda maior atenção das empresas em relação ao meio ambiente, pois a exigência de procedimentos de gestão e controle ambiental tem o potencial de se transformarem em barreiras técnicas relevantes ao comércio internacional. A Organização Mundial do Comércio já registra vários acordos bilaterais de natureza ambiental e deverá incluir o tema entre suas inúmeras áreas de negociação sistemática.

No Brasil, o Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental (CB-38), da Associação Brasileira de Normas Técnicas, com o apoio de 25 grandes empresas e instituições brasileiras, vem representando o país nos fóruns internacionais onde as nossas posições sobre o meio ambiente precisam ser apresentadas e defendidas.

Haroldo Lemos é o Superintendente do Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental da ABNT (CB-38), e membro do grupo de planejamento estratégico internacional da ISO 14000.

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