|
>>
Esta é uma coletânea diária das notícias sobre
meio ambiente divulgadas nos mais importantes jornais do país. (Quarta-feira,
01 de Outubro de 2008) ANNA LÚCIA FRANÇA Após muita polêmica e expansão desenfreada do marketing do reciclado entre as empresas, o que acabou gerando uma demanda além das expectativas, o setor resolveu se organizar. Uma comissão formada por fabricantes e usuários, com ajuda da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em um total de mais de 150 participantes, vai definir melhor as regras para o produto reciclado, incluindo quantidades de fibras a serem utilizadas e a sanidade do papel. "Queremos desfazer as confusões e criar regulamentações para este mercado", disse o diretor de assuntos setoriais da Associação Brasileira dos Produtores de Papel e Celulose (Bracelpa), Francisco Saliba. Há pouco mais de sete anos, o Banco Real iniciou o movimento adotando o papel reciclado em todas as suas comunicações com os clientes. Há três anos foi seguido por outras duas instituições financeiras de peso, o Banco Itaú e o Bradesco. A complicação, porém, começou mesmo em 2007 quando um Projeto de Lei começou a tramitar no Congresso Nacional, para estabelecer a obrigatoriedade do uso de papel reciclado em 30% dos impressos oficiais. "Quem fez isso não se preocupou em saber se haveria disponibilidade ou não do produto no mercado", afirma o presidente do Conselho Diretivo da Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG), Silvio Roberto Isola. Segundo ele, nem mesmo os tradicionais fornecedores teriam condições de atender a este aumento artificial de demanda. Além disso, cada um queria especificar o quanto de fibras usadas deveria conter o papel reciclado. "Cada um tinha uma receita própria", diz Saliba. Atualmente, o Brasil recicla 3,6 milhões de toneladas de papel por ano, cerca de 45% do consumido no mercado nacional. Mas 67% disso vai para o mercado chamado "marrom", ou seja, é usado no miolo do papelão ondulado. Dos 3,6 milhões, apenas 100 mil toneladas se destinam ao mercado de imprimir e escrever. O restante é direcionado ao mercado de papeis sanitários, que utiliza em 70% de sua produção fibras recicladas. "É preciso que se entenda que a reciclagem de papel, diferente de outros materiais, não é feita integralmente, porque as fibras se degradam", afirma Saliba. Assim, é preciso que se inclua fibras novas sempre, para manter a resistência. O aumento desenfreado de demanda elevou em 30% o preço do reciclado no último ano. O que já levou até mesmo empresas que levantaram a bandeira deste tipo de papel, como o próprio Banco Real e a Natura, a rever sua postura. Em comunicado oficial, o banco informou usará tanto certificado reciclado quanto certificado branco, o que tiver mais disponível no mercado, na melhor condição econômico-financeira. Já a Natura trocou, em agosto, o papel reciclado pelo cuchê em seu catálogo, após testes baseados na Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), que analisou a cadeia da produção da publicação com os dois tipos de papel. Além disso, o cuchê usado tem certificado do Forest Stewardship Council (FSC), organização internacional não-governamental que define critérios de certificação florestal e de cadeia de custódia em toda a produção do papel - que começa com o plantio da árvore até a impressão. Nos últimos meses, o que se vê é um movimento dos maiores fabricantes como Suzano Papel e Celulose e International Paper no lançamento de papéis ecologicamente corretos. "Toda nossa linha já é certificada pelo FSC, uma exigência crescente não apenas no Brasil como no mundo inteiro", explica Carlos Anibal Almeida, diretor executivo da unidade de negócios papel da Suzano. Segundo ele, o fato de ser um papel proveniente de florestas manejadas confere ao produto nacional um diferencial no mercado externo. "Mas o reciclado é muito importante porque existe 15 mil toneladas de lixo por dia só em São Paulo, o equivalente a um Estádio do Morumbi inteiro", diz Isola. "Hoje 380 mil pessoas vivem do lixo no Brasil e isso não pode ser esquecido", completa.
|
|