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Esta é uma coletânea diária das notícias sobre
meio ambiente divulgadas nos mais importantes jornais do país. (Segunda-feira,
01 de Setembro de 2008) EVAN RAMSTAD, The Wall Street Journal Confrontadas com exigências ambientais e disparada nos custos, algumas siderúrgicas resolveram reformular a receita de séculos para a fabricação do ferro usado na produção do aço. Empresas da Europa, Austrália e América do Norte desenvolveram processos que contornam uma etapa altamente poluente da produção do ferro e estão encontrando siderúrgicas da Ásia e da África dispostas a apostar na inovação. Mas a sul-coreana Posco, a terceira maior siderúrgica do mundo, foi ainda além do tradicional alto-forno.
O aço é normalmente feito pelo refino do ferro em três etapas. Primeiro, o minério de ferro e o carvão são aquecidos e transformados em materiais - sínter e coque, respectivamente - que podem se misturar facilmente. Aí, eles são carregados no alto-forno, onde se combinam para se tornar ferro-gusa. Finalmente, o ferro-gusa é fundido ainda mais e misturado com outros materiais numa forma líquida de aço, que é então moldada em formas ou laminada. A Posco, porém, construiu um alto-forno que pode preparar tipos mais baratos de carvão e minério de ferro para serem convertidos em ferro-gusa sem colocá-los nos fornos altamente poluentes usados na fabricação tradicional. Ela investiu mais de US$ 2 bilhões em pesquisa para criar o processo, chamado Finex, que desenvolveu em conjunto com a empresa antecessora da Siemens-VAI, hoje uma divisão da alemã Siemens AG. A unidade da Siemens construiu antes o alto-forno em usinas da Saldanha Steel, que pertence à ArcelorMittal, na África do Sul; da Jindal Vijayanagar Steel Ltd. na Índia; e da Baosteel Group Corp. na China. O processo Corex eliminou a necessidade de processamento separado do coque e do sínter, e a Baosteel, a maior siderúrgica chinesa, está agora erguendo seu segundo alto-forno Corex, que deve começar a produzir em 2010. A Posco e a Siemens-VAI haviam planejado construir uma pequena usina de demonstração usando o processo Corex, mas elas decidiram tomar um passo adicional. Embora o Corex possa usar fino de carvão barato, o processo Finex usa tanto fino de carvão como fino de minério de ferro, o que o torna mais eficiente em termos de custos. As siderúrgicas vêm experimentando novos processos na etapa de produção do ferro há muitos anos, principalmente com alterações na relação dos ingredientes, na esperança de reduzir o uso do coque. A maioria das alternativas nunca chegou ao mercado porque consumia muita energia. "Se você consegue fazê-lo sem gastar muito mais energia que o processo normal, ganha tudo", diz Jerome Lambert, gerente ambiental e de tecnologia do escritório de Pequim do Instituto Internacional do Ferro e do aço. O ferro criado no alto-forno Finex pode ser usado em qualquer tipo de aço, inclusive os de alta qualidade usados na indústria automobilística, dizem executivos. A Posco afirma que usa para o ferro-gusa Finex os mesmos processos de inspeção e controle de qualidade de outros altos-fornos. Em ambos os casos, o ferro tem de ter a mesma composição. A usina Finex da Posco, que começou a operar em maio de 2007, operou abaixo das metas de produção e acima das projeções de consumo de energia por meses, em parte por causa de problemas mecânicos. "No começo estávamos tentando fazer várias coisas", diz Lee Chang-hyung, um engenheiro da Posco. Até setembro de 2007, diz, "não podíamos alcançar nossa meta (de produção) diária. Depois disso, a estabilizamos". No momento, a usina da Posco produz 1,5 milhão de toneladas de ferro por ano, ou cerca de 6% das necessidades siderúrgicas da empresa. Seu custo operacional, que não inclui despesas fixas, é equivalente a 90% do custo nos dez altos-fornos tradicionais da empresa, quando medido numa base de produção comparável. Com planos de se expandir para a Índia e o Vietnã, a empresa tem pelo menos seis outros altos-fornos nos planos, e executivos dizem que devem usar o projeto Finex para eles. Nos últimos meses, as pressões de custos aumentaram para as siderúrgicas, que foram forçadas a aceitar grandes aumentos de preço para o carvão siderúrgico e o minério de ferro. A diferença nos preços por tonelada entre o carvão siderúrgico e o fino de carvão mais barato usado no novo alto-forno da Posco pulou de US$ 15 para US$ 50 este ano. Recentemente, a Posco concordou em pagar à mineradora Rio Tinto 96% mais por minério de ferro granulado, o tipo usado em altos-fornos tradicionais. Já o preço do minério de ferro usado em seu novo alto-forno subiu apenas 79%, e a partir de uma base mais baixa. Segundo Fernando Von Zuben, diretor de meio ambiente da Tetra Pak, a quantidade de clientes que compram embalagens da companhia aumentou consideravelmente nos últimos anos. "É benéfico para uma empresa ter seu nome associado a uma cadeia de fornecedores socioambientalmente responsáveis", afirma o executivo. Além de criar novos produtos verdes, há um mercado empenhado em tornar mais sustentáveis os já existentes. Um exemplo dessa evolução é a indústria automobilística. O novo conceito Flex Start, desenvolvido atualmente pela Bosch, pode resultar na produção de carros menos prejudiciais ao meio ambiente. Um veículo que possui o Flex Start está apto, por exemplo, a fazer uma "partida a frio", sem precisar do reservatório dos veículos comuns, proporcionando uma redução de até 40% na emissão de poluentes. A previsão é de que esta nova tecnologia esteja disponível no mercado brasileiro a partir do próximo ano. Outra novidade que pode ser muito eficiente nas grandes cidades é o sistema Start Stop, que reconhece uma série de condições de uso do carro e desliga o motor automaticamente quando o automóvel está parado em marcha lenta por longo período, sendo acionado novamente apenas com o uso dos pedais. Esse sistema pode reduzir em até 8% o consumo de combustível e em até 5% as emissões de CO2. O Star Stop já integra os veículos europeus e deve estar disponível no Brasil a partir de 2010. De acordo com Fábio Ferreira, gerente de desenvolvimento de produtos da unidade sistemas a gasolina da Robert Bosch América Latina, a introdução dessas novas tecnologias no mercado, avaliada juntamente com o impacto no custo final dos veículos, tem gerado bons resultados. "É perceptível a disposição crescente dos consumidores para comprar produtos ambientalmente corretos", destaca Ferreira. Empresas mais conscientes A necessidade de conscientizar os novos consumidores também se mostra um desafio para as empresas que investem em produtos mais sustentáveis. Segundo o diretor da GE, o Brasil tem uma nova classe média com grande poder de consumo e, por isso mesmo, inegável capacidade de influenciar os negócios. "Essa mudança reflete na habilidade do País crescer de uma maneira sustentável e na forma como a GE se prepara para atender a essa demanda". Para ajudar a fortalecer a consciência socioambiental nessa nova sociedade em formação, a GE aposta na Convocação Regional, evento que está no quinto ano e acontece pela primeira vez na América Latina e no Brasil. Cerca de 20 lideres de opinião, entre governo, empresas e ONGs, se reunirão na segunda semana de outubro para trocar experiências sobre um determinado tema, que, neste ano, será a sustentabilidade. Segundo Alfredo, como os negócios geram um impacto importante para a sociedade, deve partir das empresas o desenvolvimento de alternativas e soluções mais sustentáveis. Na mesma linha de conscientizar consumidores, a Natura foi a primeira no País a destacar uma tabela ambiental no rótulo de produtos. "Elas contém informações a respeito da quantidade de matéria-prima proveniente de fontes renováveis e quais embalagens são recicladas ou recicláveis", afirma Gonzaga. Para Lima, da Unilever, quanto mais consumidores engajados, mais empresas devem aderir às práticas sustentáveis. "De modo geral, quando os consumidores são exigentes, a indústria procura se melhorar. O que temos feito é levar em consideração toda a preocupação durante o processo de produção de novos produtos". Para Von Zuben, da Tetra Pak, o mais importante na relação com os consumidores é a transparência. "A empresa deve comunicar apenas a realidade. No final das contas, é muito fácil vender. Demora-se anos para se construir credibilidade. E pouco tempo para perdê-la".
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