>> Esta é uma coletânea diária das notícias sobre meio ambiente divulgadas nos mais importantes jornais do país.
Boa leitura!

(Quarta-feira, 08 de Outubro de 2008)
Gazeta Mercantil

BRASIL, RÚSSIA, INDIA E CHINA TÊM AS MELHORES OPORTUNIDADES

JOÃO PAULO FREITAS

Para grande parte dos executivos, as melhores oportunidades profissionais se encontram nas economias em desenvolvimento. Este é o principal resultado do mais recente Executive Quiz da Korn/Ferry Internacional, uma das maiores empresas de seleção de executivos do mundo. O estudo, que coletou dados sobre oportunidades de carreira internacional entre os líderes de negócios, foi realizado entre julho e agosto deste ano e consultou quase 3 mil profissionais de mais de 70 países.

Para 64% dos entrevistados, o chamado BRIC - grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China - concentra as melhores oportunidades de crescimento profissional. Já os Estados Unidos foram apontados como um mercado promissor por apenas 22% dos participantes.

Na opinião do sócio-diretor da Korn/Ferry, Rodrigo Araújo, o Brasil definitivamente passou a ser uma das regiões que mais atraem os executivos. Porém, isso não o surpreende, pois os países do BRIC têm apresentado crescimento robusto e chamado a atenção das multinacionais, que passaram a investir consideravelmente nessas nações. O problema é que a conjunção de fatores tem provocado escassez de mão-de-obra. Resultado: as empresas que estão abrindo operações nesses países geralmente oferecem oportunidades de expatriação para seus funcionários. "Tendo a acreditar que o crescimento econômico está sendo tão rápido que o desenvolvimento dos talentos não acompanha a demanda", avalia.

Em contraponto ao bom momento dos países emergentes, há a redução de oportunidades profissionais em mercado mais maduros, como os Estados Unidos e o Japão. "Tal estagnação está ligada ao menor crescimento econômico dessas geografias", aponta Araújo. Outro fator que pode prejudicar ainda mais as economias desenvolvidas é a atual crise financeira americana.

Mas como o mercado hoje é, literalmente, global, os emergentes não devem sair ilesos da atual instabilidade. "Já começamos a sentir de forma palpável os efeitos da crise. Eventualmente, alguns projetos serão interrompidos. Com isso, pode haver reversão nessa visão favorável sobre o BRIC", pondera Araújo. Ou seja, é preciso ficar atento a possíveis postergações de investimentos, até que a situação se estabilize e permita que decisões importantes, como a criação de filiais no exterior, possam ser melhor avaliadas pelas companhias.

Expatriação em alta

De acordo com o estudo da Korn/Ferry, a expatriação é geralmente vista com um bom negócio, independentemente da situação dos mercados. Para 63% dos entrevistados, o momento econômico do país de origem não afetaria a decisão de aceitar uma atribuição estrangeira. Esse dado pode ser relacionado com outra constatação do estudo: a maioria dos executivos (83%) vêem as oportunidades internacionais como forma de acelerar o próprio crescimento profissional. "O foco está no desenvolvimento", garante. "Os projetos de internacionalização expõem o executivo ao novo, sendo uma preparação para que ele assuma, posteriormente, desafios maiores. A desaceleração econômica ou uma situação de crise também são ocasiões de aprendizado".

Outro dado do levantamento: 61% dos participantes afirmaram já ter recebido alguma oferta internacional de trabalho. Entre eles, 83% mudariam de país por uma boa oportunidade na carreira. Para Araújo, esses dados demonstram que são muitas as oportunidades para os executivos interessados em atuar no exterior.

Já as empresas têm a preocupação de encontrar modos de assegurar que a expatriação gerará resultados. "Este é o objetivo das multinacionais, além do interesse de levar suas culturas corporativas para novos países", observa.

Estada breve

Obviamente, tomar a decisão de ir ou não para outro país não é tão simples. Pelo visto, a solução mais visada pelos profissionais no momento da expatriação é negociar para que a temporada no exterior não seja longa demais. Segundo o estudo, apenas 24% estariam dispostos a ficar mais de cinco anos em outro país, enquanto 82% aceitariam um trabalho de um ano ou mais. "Há profissionais que preferem ir para fora por tempo determinado", diz Araújo. "Outros tornam-se executivos globais e se desapegam de seu país de origem. Essas trajetórias estão ligadas às motivações de carreira de cada um", analisa o consultor, observando que a maioria prefere estadas que variem entre um e dois anos.

A principal barreira para aceitar um convite internacional são questões ligadas à família (62%), seguidas pelo idioma (13%), dificuldades de retorno ao país de origem (8%), segurança (5%), custo (5%) e padrão de vida (4%). Araújo comenta que os profissionais se preocupam, por exemplo, com o estudo que os filhos receberão no novo lar. Outro dilema comum é quando a mudança favorece um dos cônjuges, mas prejudica o outro. Em casos como esses, é comum que o profissional opte pela redução do período de expatriação. "O desafio é chegar a um equilíbrio entre essas variáveis. Quando há muitos aspectos pessoais interferindo no processo, a atenção não estará direcionada ao desenvolvimento das competências visadas", conclui Araújo.