>> Esta é uma coletânea diária das notícias sobre meio ambiente divulgadas nos mais importantes jornais do país.
Boa leitura!

(Quarta-feira, 09 de Outubro de 2008)
Valor Econômico

EMPRESA "VERDE" É ESPERANÇA DE LUCRO PARA CONSULTORIAS

JILIAN MINCER, The Wall Street Journal

Quando o Comerica resolveu adotar atitudes mais "verdes", no ano passado, sabia que ia precisar de ajuda.

Esse banco, com sede em Dallas, desejava criar um plano de amplo alcance para tornar-se mais amigável ao meio ambiente. "Esse aspecto tem grande importância para os acionistas", diz Rick Plewa, vice-presidente-sênior e diretor de sustentabilidade empresarial do Comerica Inc.

Mas o banco achou que não tinha o know-how necessário para criar, sozinho, uma estratégia tão ambiciosa. Assim, procurou a Deloitte & Touche LLP, que já desenvolveu programas semelhantes para outras empresas.

Essa consultoria apresentou um plano que incluía fazer todo um inventário da produção de gases de efeito estufa gerados pelo banco; a sugestão de reciclar grandes quantidades de papel e equipamentos eletrônicos; e ainda, elaborar um protótipo de agência bancária que possa ser certificada como ecologicamente sustentável por uma entidade independente, e que possa ser duplicada em outros locais.

Não é só o Comerica que está em busca da sustentabilidade. Empresas de todos os tamanhos estão percebendo que adotar atitudes mais ecológicas é algo que pode economizar dinheiro, abrir novas fontes de renda e deixar felizes os funcionários, acionistas e clientes.

Agora que muitas empresas estão buscando essas estratégias, firmas de consultoria como Deloitte, International Business Machines Corp. e KPMG LLP, enxergam aí a oportunidade de conquistar novos negócios. Com seu know-how, prometem ajudar as empresas a analisar sua pegada de carbono, encontrar maneiras de reduzir o consumo de energia, e também identificar os possíveis benefícios fiscais gerados por medidas desse tipo.

"Há muitas empresas pensando nesse assunto e procurando aconselhamento", diz Joseph A. Muscat, sócio da Ernst & Young LLP, onde é diretor dos serviços de consultoria para tecnologias limpas na área das Américas.

Um grande motivo que leva as empresas a pensar nas questões ambientais é a pressão crescente que estão sentindo em relação a esse assunto. O custo da energia está disparando, os acionistas e o público em geral estão exigindo com mais vigor que as empresas adotem práticas mais responsáveis para com o meio ambiente, e as agências regulatórias estão impondo normas mais rígidas. Nesse novo clima de negócios, apenas reciclar papel ou reduzir o uso do ar-condicionado já não é suficiente.

Entre outras coisas, os investidores americanos estão fazendo pressão sobre a Comissão de Valores Mobiliários, conhecida no país como SEC, para que exija das empresas que divulguem com mais exatidão quais são os riscos que as mudanças climáticas apresentam para seus negócios. Por exemplo, será que a empresa poderia sofrer um grave golpe financeiro se modificasse suas operações a fim de cumprir as normas e reduzir suas emissões de carbono? Existe o risco de enfrentar processos judiciais se não cumprir essas normas?

Em agosto, a Xcel Energy Inc. concordou em divulgar advertências detalhadas acerca desse tipo de riscos, em acordo firmado com o procurador-geral de Nova York, Andrew M. Cuomo. Em 2007, Cuomo intimou os executivos da Xcel e de quatro outras empresas de energia a garantir que as informações apresentadas à SEC explicavam adequadamente os riscos.

Segundo alguns ambientalistas, no futuro próximo as empresas vão ter que enfrentar exigências ainda mais severas em relação à divulgação desse tipo de dados. As empresas com atuação internacional já precisam atender a normas mais estritas e, nos EUA, espera-se que a política relativa às emissões de carbono fique mais severa, seja qual for o partido que vencer as eleições presidenciais em novembro.

Mas os esforços em direção à sustentabilidade corporativa não buscam apenas evitar problemas. As empresas também estão reconhecendo as oportunidades que se abrem para quem adota atitudes mais "verdes".

Um levantamento global de 250 executivos, feito pela IBM, concluiu que 68% das empresas estão considerando a responsabilidade social corporativa como nova maneira de geração de rendas, seja criando novos produtos ou adaptando os já existentes. Por exemplo, há empresas desenvolvendo novas versões mais econômicas em energia dos seus produtos normais. Outro estudo feito pela IBM, desta vez com 1.100 presidentes de empresas, constatou que a maioria planeja aumentar seus investimentos em responsabilidade social corporativa em 25% ao longo dos próximos três anos.

Gazeta Mercantil
EM RITMO DE ESPERA, EMPRESAS MUDAM PLANOS PARA DRIBLAR CRISE

A instabilidade financeira e cambial está levando diversos setores a reprogramar sua política de venda. Os importadores de veículos, por exemplo, estudam voltar a fixar preços em dólar, como faziam em épocas em que o Brasil convivia com freqüentes desvalorizações de sua moeda, antes da adoção do Plano Real, em 1994, e em 1999, quando o País sofreu um ataque especulativo e o governo estabeleceu o atual regime de câmbio flutuante.

As montadoras de caminhões, que até a semana passada tinham fila de espera para entregar seu produto, já registram adiamento de compras por parte de seus clientes, em decorrência de restrição de crédito e de alta nas taxas de financiamento cobradas pelos bancos. No pólo industrial de Manaus (AM), empresas programam férias coletivas de dez dias a seus empregados - paralisação motivada pela majoração do câmbio que dificulta a importação de peças, a formação de preços e o repasse dos custos ao preço.

No varejo, lojas que vendem produtos com componentes importados já estão sendo informadas que as próximas tabelas virão majoradas. "O varejo não sabe por quanto comprar e a indústria não sabe por quanto vender", diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos, Lourival Kiçula. E segmentos da indústria têxtil que dependem muito de importações não estão fechando preço para vendas futuras, pois têm expectativa de que a cotação do dólar baixará em curto prazo.

Na cena externa, para tentar minimizar os efeitos da crise, em uma ação coordenada pelo Fed, os principais bancos centrais do mundo reduziram as taxas de juros de seus países. Isso não evitou que as bolsas de valores fechassem no negativo. A Bolsa de Tóquio encerrou o pregão em queda recorde e a de Moscou suspendeu os negócios por dois dias.

Brasil vai promover megaevento sobre setor

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer mostrar aos estrangeiros os benefícios dos biocombustíveis do Brasil e fixar a imagem de que a produção nacional do etanol e biodiesel é sustentável. Essa é uma resposta às críticas internacionais de que o combustível causa desmatamento e reduz a oferta de alimentos. Por essa razão, o Palácio do Planalto organizará em São Paulo, entre os dias 17 e 20 de novembro, um mega evento sobre o setor, que consumirá cerca de R$ 2 milhões.

O presidente Lula pediu para convidar cerca de 80 ministros estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos e União Européia, que já lidam com a tecnologia dos biocombustíveis - além da imprensa internacional e empresas estrangeiras do ramo. Apesar de o evento ser em nível ministerial, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deve ser o protagonista, em meio a crise financeira internacional. Segundo o Itamaraty "há indicações fortes de que ele venha". Embora Bush tenha sido muito criticado por Lula, recentemente, por conta da crise, Bush prometeu vir ao Brasil se despedir do presidente Lula em seu último ano de governo nos Estados Unidos - de onde também partiram críticas contra o etanol brasileiro.

Segundo fontes do governo, Lula pediu para a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) organizar a "1ª Exposição Internacional Sobre Biocombustíveis" para esclarecer dúvidas sobre os biocombustíveis brasileiros. Foi criado um comitê-executivo para organizar o evento entre vários ministérios, inclusive a Casa Civil, que está organizado a "Conferência Internacional sobre Biocombustíveis", que permitirá a discussão sobre o tema.

Evento com 2,5 mil pessoas

O governo espera que o evento atraia 2,5 mil conferencistas entre brasileiros e estrangeiros.

A Apex-Brasil elencou seis principais objetivos do evento. Mobilizar formadores de opinião internacionais; defender a sustentabilidade dos biocombustíveis brasileiro; e promover diálogo mais equilibrado sobre a sustentabilidade dos biocombustíveis. Acrescenta-se a idéia de estimular o uso do modelo brasileiro de biocombustíveis por outros países; e a de explorar o interesse das autoridades internacionais com apoio brasileiro para aperfeiçoar modelo de biocombustíveis. Além de "encorajar" o contato e a troca de informações entre representantes brasileiros do setor e participantes estrangeiros.

Sustentável e eficiente

"Essa é uma oportunidade de os estrangeiros virem ao Brasil e saber que a produção de biocombustíveis do Brasil é sustentável e eficiente", disse o presidente da Apex, Alessandro Teixeira. Segundo ele, a produção nacional de biocombustíveis é sustentável, porque usa apenas as culturas não destinadas a alimentação, como pinhão-manso e cana-de-açúcar, a principal matéria-prima do Brasil utilizada para a produção de etanol, além de cultivares para biomassa (restos de produtos agrícolas e florestais para a produção de energia renovável). Nos Estados Unidos, o milho é a principal matéria-prima usada para a produção do combustível.

O governo vai aproveitar o evento para disseminar o uso da tecnologia flex fuel desenvolvida no Brasil que permite um único automóvel ser abastecido tanto com álcool como com gasolina, fator já consolidado na indústria automobilística brasileira. Hoje 90% dos automóveis fabricados no Brasil contam com tal tecnologia.

Conforme Teixeira, muitas pessoas estrangeiras desconhecem a tecnologia flex fuel desenvolvida no Brasil. "São vários pontos que vamos demonstrar durante o evento e mostrar a nossa diferença em sustentabilidade na produção dos biocombustíveis", disse.

O Brasil quer aumentar a participação das exportações de biocombustíveis e da tecnologia que produz o combustível, como máquinas e equipamentos.

O Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla) que apoia a Apex informa que 40 empresas do setor, incluindo entidades, vão apresentar as últimas tecnologias para a produção de biocombustíveis no evento. Também estima que o setor nacional de álcool e etanol movimenta R$ 40 bilhões anuais.