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Esta é uma coletânea diária das notícias sobre
meio ambiente divulgadas nos mais importantes jornais do país. (Quinta-feira,
15 de Maio de 2008) As mudanças do cenário no mercado internacional, com o aquecimento da economia nos países emergentes e a valorização das matérias-primas, forçam as principais siderúrgicas japonesas a produzir aço no Brasil e em outros países . Para esse setor japonês, essa é a principal alternativa para se reduzir os custos de produção e, assim, melhorar os resultados financeiros. Se não investirem agora, estarão sem condições de competir globalmente nos próximos anos, correndo o risco de serem engolidas pelas concorrentes, como a ArcelorMittal. Entre março e abril, Nippon Steel e JFE, respectivamente segunda e terceira maiores mundiais do aço, divulgaram planos de expansão dos negócios através de parcerias no mercado brasileiro. Grande parte dos investimentos, que giram no total em torno de US$ 14 bilhões a US$ 16 bilhões até a metade da próxima década, encontra-se sob intensas negociações. Cada parte tanta garantir controle acionário nos novos contratos, conforme informações que circulam no Japão. O projeto da Nippon Steel envolve trabalhos com a Usiminas na produção de aço em Ipatinga (MG) e Cubatão (SP). O plano de expansão da brasileira está estimado entre US$ 9 bilhões e US$ 10 bilhões. A JFE anunciou que, junto com a Vale do Rio Doce e a coreana Dongkuk, estuda a construção de uma unidade em Pecém, no Ceará, em investimento de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões. O objetivo, tanto de Nippon como de JFE, é garantir o fornecimento do minério de ferro na fonte, cortar o custo de transporte da matéria-prima e atender, além da crescente demanda latino-americana, os mercados da Europa e da América do Norte. Para Cubatão, a Usiminas tem um estudo de viabilidade para uma nova usina, de 3 milhões de toneladas ao ano. Essa unidade seria alimentada com minério de ferro da mina J. Mendes, adquirida pela Usiminas em fevereiro. Usiminas e Nippon precisam uma da outra, mas ainda tentam chegar a um acordo sobre quem ficará com a maior participação acionária nos projetos de expansão. A Nippon teria de garantir o minério da Usiminas. A brasileira, por sua vez, precisa da tecnologia e dos canais de distribuição de aço da parceira, informam executivos ligados a Nippon. Sobre esse projeto, a empresa brasileira informou em conferência a analistas no início de maio que está estudando várias alternativas, inclusive se faz sentido antecipar a data do investimento, que está programado para 2014. "Estamos vendo a alternativa que é mais interessante para a empresa", afirmou Paulo Penido Pinto marques, diretor financeiro. Essa decisão das empresas japonesas também reflete a necessidade de abandonar uma cômoda posição defensiva, mais voltada para a demanda doméstica. Com isso, querem se transformar num ativo com participação global para conter o avanço da rival ArcelorMittal, líder mundial do setor capaz de até mesmo fazer uma oferta de aquisição hostil de controle acionário. No momento, as japonesas sabem que não estão em condições de competir internacionalmente. Em 2007, a produção de aço do Japão foi de pouco mais de 120 milhões de toneladas, o que representou aumento de 22% sobre 1992. Mas nesses 15 anos, o país viu sua participação no mercado mundial cair de 13,6 % para 9,1%. A queda foi causada pelo rápido crescimento das economias emergentes, principalmente da China, onde a produção na última década e meia cresceu 500%, totalizando um saldo quatro vezes superior ao do Japão. E projeções indicam que a siderurgia japonesa também deve ser superada pelo Brasil e Índia. Para tentar reagir, as exportações de aço do Japão atingiram 30% da produção no ano passado. Mas o segmento reconhece que é o limite. Para atuar no mercado internacional, só com novas unidades no exterior. Agora, a Nippon Steel a JFE usam o caixa reforçado pela valorização das ações e do aumento dos lucros, de cerca de 450%, nos últimos cinco anos para investir fora do Japão. As japonesas já possuem unidades no exterior para atender o setor automobilístico com produtos especiais. Mas os projetos de Cubatão e Pecém são os primeiros que envolvem a verticalização do processo (de mineração a produção de aço de alta qualidade, incluindo transferência de tecnologia de ponta guardada a sete chaves pelas empresas). A Nippon, que possui quatro usinas no Japão, não investe numa nova unidade desde 1971. A expansão da Usiminas com a participação da Nippon é arrojada. O início da produção está previsto para 2010. Em Cubatão, a joint venture, se confirmada, poderá usar a infra-estrutura já existente da Usiminas, que se responsabilizaria pela comercialização dos produtos na América Latina. Chapas de aço seriam exportadas para montadoras na Europa e EUA. Mas esse contrato termina em 2011. E é exatamente nesse ano que a nova unidade de Cubatão poderá estar capacitada para atender às necessidade da Toyota. O relacionamento entre as siderúrgicas e montadoras japonesas é bom, tanto que até atuam juntas no desenvolvimento de aços especiais. Por isso, o mercado acredita que a Toyota dará prioridade ao aço distribuído pela Nippon no Brasil. Também pesa a previsão de expansão das montadoras do Japão no Brasil. Em 2007, pela primeira vez, as japonesas produziram mais veículos de passeio no exterior do que no mercado doméstico. Apesar de ser a segunda maior siderúrgica do mundo, a Nippon Steel representa apenas um terço da ArcelorMittal em volume de produção. As duas empresas atuam em conjunto nos Estados Unidos e na Europa, mas competem nos mercados emergentes. A posição da japonesa indica o desejo de, no futuro, reduzir os laços de cooperação. A proposta das usinas japonesas no Brasil, por meio da transferência de tecnologia para produção de aço de alta qualidade, também faz parte do projeto para evitar uma oferta de aquisição hostil por parte da ArcelorMittal. A formação de grupos de trabalho no setor reforça as empresas no caso de uma atividade mais agressiva de controle acionário no mercado financeiro. O interesse dos japoneses em instalar unidades no Brasil, maior exportador de minério de ferro do mundo, começou em 2002, quando a cotação das matérias-primas começou a disparar. Nos últimos cinco anos, o preço do ferro aumentou quatro vezes e meia. Estar presente no mercado brasileiro também é importante para eliminar o custo do frete marítimo do Brasil para o Japão. Com a valorização do petróleo, o custo do transporte do ferro chegou ao patamar de US$ 70 por tonelada e hoje já representa 5 por cento valor do aço. A Nippon Steel e a JEF também tentam aprovar projetos de instalação de unidades na Tailândia, país com concentração de montadoras. A produção visa atender a grande demanda existente em todo o Sudeste Asiático, Índia e China e a conter o avanço da ArcelorMittal na região. As siderúrgicas na Tailândia, assim como no Brasil, produzirão aços de alta qualidade via transferência de tecnologia. Outras japonesas também buscam parcerias com empresas de médio porte na Índia. No Brasil, o aquecimento dos negócios no setor de energia também atrai investimentos das japonesas. A Sumitomo Metals formou uma joint venture com a francesa Vallourec, em Minas Gerais, para fabricar tubos de aço sem costura. O projeto orçado em US$ 2 bilhões visa atender projetos de dutos para gás e álcool. A unidade, prevista para começar a funcionar em 2010, terá capacidade para produzir 1 milhão de toneladas de aço bruto e 600 mil toneladas de tubos ao ano.
(Colaborou Ivo Ribeiro, de São Paulo)
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