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Esta é uma coletânea diária das notícias sobre
meio ambiente divulgadas nos mais importantes jornais do país.
Boa leitura!
(Quarta-feira,
16 de Julho de 2008)
DCI Energia
CRÉDITO DE CARBONO DE COOPERATIVAS ATRAI ESTRANGEIROS AO BRASIL
O ainda modesto mercado brasileiro de crédito de carbono tem beneficiado, em sua maior parte, investidores estrangeiros que, nas negociações com as cooperativas, firmam contratos de longo prazo nos quais detém até 90% da renda. Esse modelo de gestão pode estar perto de terminar a partir do Programa Inserção Sustentável das Cooperativas no Mercado de Carbono, que será lançado hoje, em Brasília pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e contará com a presença do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.
No projeto, que pretende incentivar a inserção das cooperativas agrícolas nesse mercado, a idéia é transformar passivo ambiental em ativo econômico. "Queremos a atuação dos cooperados sem grandes empresas envolvidas. A idéia é que a cooperativa se aproprie e faça a comercialização", afirma Gustavo Prado, técnico da gerência de mercados da OCB. Ele explica que, na forma como acontece hoje, a cooperativa fica rendimento, presa em longos contratos e ainda perdem um diferencial competitivo. "Como não detém os créditos as cooperativas não podem buscar uma certificação, um selo social", diz.
Uma das primeiras medidas do Programa será habilitar como certificadoras empresas brasileiras na Organização das Nações Unidas (ONU). Para apressar o processo será assinado um protocolo de intenções entre os ministérios da Agricultura, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento Agrário, além da OCB, Banco do Brasil e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação ea Agricultura (FAO).
Segundo um levantamento da OCB, existem no Brasil apenas quatro cooperativas que trabalham com créditos de carbono: Cooperio, Copagril, Coopercampos e Eletrorural. Esta última faturou R$ 6 milhões em 2007 com a venda de 134 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) evitadas com a geração de energia de uma pequena central hidrelétrica para uma empresa japonesa.
A Coopercampos também acaba de firmar contrato com uma empresa do Japão. O banco Sumitomo irá financiar a introdução de um biodigestor em uma das granjas da cooperativa. "Já atuamos nesse mercado através da AgCert (associada à AES Corporation, da Irlanda). Eles investiram nas propriedades e ficam com 90% de crédito para comercialização", diz Adori Bernardi, assessor da Coopercampos. Atualmente a cooperativa recebe R$ 31 mil pelas seis propriedades cobertas com biodigestores financiados pela AgCert, o que representa cerca de 10% do valor gerado.
As cooperativas brasileiras, que têm participação modesta no mercado de crédito de carbono, ganharão novo impulso nesse segmento com o lançamento, previsto para hoje, do Programa Inserção Sustentável das Cooperativas no Mercado de Carbono, que será lançado hoje, em Brasília pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
Uma das primeiras medidas do programa será habilitar como certificadoras as empresas brasileiras na Organização das Nações Unidas (ONU). Para apressar o processo será assinado um protocolo de intenções que incluirá os ministérios, a OCB e o Banco do Brasil.
Segundo levantamento da OCB, há atualmente no Brasil apenas quatro cooperativas que trabalham com créditos de carbono: Eletrorural, Cooperio, Copagril e Coopercampos.
A Eletrorural faturou R$ 6 milhões em 2007 com a venda de redução de 134 mil toneladas de dióxido de carbono, assim gerando energia para uma pequena central hidroelétrica.
O ainda modesto mercado de crédito de carbono tem beneficiado investidores estrangeiros que, nas negociações com cooperativas, fazem contratos de longo prazo em que detêm até 90% da renda.
Gazeta Mercantil
ADESÃO ÀS NORMAS DO GRI CRESCE NO BRASIL
LÚCIA REBOUÇAS
As diretrizes do Global Reporting Initiative (GRI) para a elaboração de relatórios de sustentabilidade já estão sendo utilizadas por 1.500 instituições no mercado internacional. No Brasil a adesão tem sido crescente: cerca de 70 empresas elaboram seus relatórios no padrão indicado pelo GRI. As informações foram dadas pelo principal executivo do GRI, Ernest Ligteringen, que foi o palestrante do 2 Sustentabilidade em Pauta Internacional, evento organizado pelo Banco Itaú, e traçou um alarmante cenário sobre o futuro do planeta em função do aquecimento global e do crescimento populacional. Segundo ele, o número de habitantes deve saltar dos atuais seis bilhões para nove bilhões em 30 a 40 anos.
As grandes ameaças ao futuro do planeta criam grandes desafios para o desenvolvimento sustentável. O sucesso das organizações depende de uma nova forma de pensar e de um novo modo de gerir, uma vez que os resultados econômicos estão cada vez mais atrelados aos impactos ambientais e sociais causados por decisões e ações de governos e empresas. Neste contexto, o relatório de sustentabilidade aparece como a melhor forma de saber o que está sendo feito pelas companhias nas áreas social, ambiental e econômica, que compõem o tripé da sustentabilidade. O GRI é uma organização não-governamental internacional, com sede em Amsterdã, na Holanda, criada em 1997, cuja missão é desenvolver e disseminar globalmente diretrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade.
Segundo Ligteringen, embora não tenha uma métrica estrita como a dos relatórios financeiros, o de sustentabilidade permite identificar, mensurar, divulgar e prestar contas sobre as ações que estão sendo desenvolvidas pelas organizações . Como é internacional, o uso do padrão GRI permite uma comparabilidade do que está sendo feito pelas companhias ao redor do mundo. Além disso, permite que as organizações e todos os seus públicos tenham em mãos um instrumento que possibilite dialogar e implantar um processo de melhoria contínua do desempenho rumo ao desenvolvimento sustentável. Embora ainda haja algum ceticismo quanto à credibilidade dos relatórios, a obrigatoriedade de auditoria, a exemplo do que ocorre com as demonstrações financeiras das empresas, não faz parte das normas do GRI. "A auditoria é recomendável, mas não obrigatória", afirma. A organização decidiu não incluir a auditoria na norma do GRI porque sua missão é disseminar a elaboração de relatórios, até porque há entidades específicas tratando da questão, acrescentou o executivo.
Tornar a divulgação do relatório obrigatória é outra questão polêmica. O governo da Suécia passou a exigir que as empresas estatais divulguem relatórios com base no GRI. De acordo com Ligteringen, a medida foi amplamente debatida na Conferência Global sobre Transparência e Sustentabilidade, em Amsterdã, realizada em maio deste ano.
Valor Econômico
PETRÓLEO CARO E MEIO AMBIENTE VÃO DITAR PROJETOS DA EMBRAER
MARLI OLMOS
Kern, vice-presidente da Embraer: "Haverá uma redução substancial na demanda de capacidade das aeronaves"
Antes de dar qualquer resposta à concorrente Bombardier, que anunciou esta semana ambicioso projeto de uma nova família de jatos para distâncias curtas, a Embraer pretende levar em conta outros fatores que começam a pesar na mudança de cenário da aviação no mundo. "A Europa está cada vez mais rigorosa nos programas de redução de emissões de poluentes e a alta nos preços do petróleo levará todas as companhias a trocarem as frotas por aviões mais econômicos", afirma o vice-presidente para o mercado de aviação comercial da Embraer, Mauro Kern.
Kern participa está semana da Farnborough International Airshow, famosa feira aeronáutica da localidade inglesa, onde o preço do petróleo está no centro das atenções. "Vimos os efeitos mais agudos nos Estados Unidos, com empresas com dificuldades perdendo dinheiro a patamares históricos, mas este não é um problema exclusivo do mercado americano", afirma o executivo.
Diante do novo cenário mundial, a indústria aeronáutica não vai perder a oportunidade de desenvolver projetos de jatos menores . O plano da Bombardier prevê investimentos de US$ 3,4 bilhões para a nova família de jatos. "Haverá uma redução substancial na demanda de capacidade das aeronaves", afirma Kern. Para ele, nesse movimento, crescerá a demanda por aeronaves de última geração, mais confortáveis, econômicas e de porte menor, como é o caso da família 170/190 da Embraer.
"Nossos aviões estão bem posicionados no mercado, mas não posso dizer que não há importância nas ações do nosso concorrente", destaca Kern. O lançamento da nova família da Bombardier está programada para 2013. O executivo da Embraer lembra que a empresa brasileira tem como atender a uma inversão de demanda das companhias aéreas desde já.
Segundo Kern, trocar aviões de gerações antigas e menos econômicos por aeronaves mais novas pode representar um ganho anual de US$ 3 milhões em economia de combustível e mais US$ 1 milhão em redução no custo de manutenção. A frota regional, com aviões com capacidade entre 70 e 100 assentos, absorvem entre 30% e 40% dos mercados da Europa e Estados Unidos.
O executivo espera uma mudança de comportamento das companhias aéreas também no Brasil, onde prevalece o uso de aviões de grande porte, um mercado dominado pela Airbus e Boeing.
A Embraer já conquistou empresas que começam a investir em rotas regionais, como a Azul e a Trip. Kern lembra que o Brasil vive problemas estruturais com a concentração do movimento nos maiores aeroportos. "Há falta de vôos diretos para cidades importantes", destaca. Para ele, as empresas que aumentarem a freqüência para destinos não atendidos diretamente hoje tendem a ser bem-sucedidas.
A feira de Farnborough também está mostrando o potencial dos negócios de mercados como o Oriente Médio. "Existe um claro aumento de participação de regiões emergentes", destaca Kern. O executivo lembra que a dependência da Embraer do mercado americano está, conseqüentemente, caindo. Segundo ele, há alguns anos, as companhias americanas ficavam com 60% das vendas da Embraer. Hoje a participação das empresas americanas na carteira de pedidos da companhia está em 28%. A participação da soma dos pedidos de países como China, Índia e Oriente Médio já supera as encomendas dos Estados Unidos, diz o executivo.
Na segunda-feira, o primeiro dia da feira na Inglaterra, a Embraer recebeu encomendas por 22 jatos avaliados em mais de US$ 800 milhões de companhias aéreas do México, Áustria e Arábia Saudita.
Ontem foi a vez de a empresa brasileira negociar a venda dos jatinhos executivos, uma das mais recentes investidas da empresa para crescer. A Royal Jet, que representa o grupo Al Habtoor, dos Emirados Árabes Unidos, firmou contrato para a aquisição de um jato executivo Lineage 1000, que será operado para uso particular. A Embraer também assinou um pedido com a K2 SmartJets, da Grécia, para duas aeronaves Legacy 600.
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