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Esta é uma coletânea diária das notícias sobre
meio ambiente divulgadas nos mais importantes jornais do país. (Quinta-feira,
21 de Agosto de 2008) PATRICK BARTA Os preços das commodities caíram bastante ultimamente, mas não conte com uma derrocada do mercado. A China, a maior fonte da nova demanda por recursos naturais do mundo, ainda deve absorver enormes quantidades de minério de ferro, carvão, petróleo e outras matérias-primas depois do fim da Olimpíada. E a oferta de muitas commodities - como o cobre - continua apertada, apesar de uma desaceleração da economia mundial. A situação mais provável agora, dizem analistas, é que os preços das commodities se estabilizem em níveis inferiores aos recordes de alguns meses atrás, mas ainda muito mais altos do que há alguns anos. Para as empresas de recursos naturais, esse quadro apresenta prós e contras. Os preços das commodities devem permanecer altos o bastante para que elas continuem a registrar lucros elevados. Na segunda-feira, a mineradora anglo-australiana BHP Billiton, por exemplo, anunciou um aumento de 15% no lucro líquido do ano fiscal encerrado em 30 de junho, para US$ 15,4 bilhões. Mas as empresas de recursos naturais também enfrentam custos mais altos do que há um ou dois anos, de modo que, mesmo que os preços parem de cair, o primeiro semestre de 2008 pode acabar sendo o teto tanto para os lucros quanto para suas ações. Num exemplo desses riscos, a mineradora anglo-suíça Xstrata PLC informou na terça-feira que estava fechando temporariamente uma mina de níquel na República Dominicana por causa dos custos mais altos da energia e dos preços mais baixos do níquel. O níquel está atualmente 65% abaixo do recorde estabelecido em maio de 2007. Mais recentemente, o petróleo caiu cerca de 20%, o cobre 15% e o trigo mais de 30% em relação aos recordes que registraram este ano. Houve quedas similares no estanho, zinco, óleo de palma e outras commodities. As quedas refletem em parte uma economia mundial em desaquecimento. Os Estados Unidos, a Europa e o Japão flertam com a recessão, e o crescimento do PIB chinês, embora ainda forte, deve baixar para a faixa dos 10% este ano, em comparação com 11,9% em 2007. Os declínios também refletem uma mudança de sentimento dos investidores, que temem uma desaceleração muito mais acentuada na China depois do fim dos Jogos Olímpicos de Pequim. A preocupação deles é que a economia da China tenha se expandido mais rápido do que o normal antes da Olimpíada, com grandes investimentos em estádios, rodovias e outras infra-estruturas, e agora vai perder ritmo significativamente sem aquele estímulo. Mas muitos analistas acham esses temores exagerados. "A economia está claramente desacelerando este ano, mas acho que é uma desaceleração moderada", diz Andy Rothman, um analista de China do banco de investimento CLSA, de Hong Kong. A economia chinesa "ainda é fundamentalmente saudável, e no médio prazo, certamente, a construção residencial, a infra-estrutura e a urbanização - os motores do crescimento de commodities - ainda estarão lá". Num relatório divulgado em junho, analistas da Goldman Sachs analisaram o desempenho econômico dos dez últimos países a sediar as olimpíadas e constatou que muitos tiveram, de fato, desacelerações pós-jogos. Mas os lugares que sofreram desaquecimentos expressivos tendiam a ter economias que eram dominadas por suas cidades-sede, deixando-os mais vulneráveis assim que os jogos terminavam e as barracas se mudavam. Países com outras grandes fontes de atividade econômica - como os EUA no caso de Atlanta em 1996 - normalmente se saíram bem. Esse parece ser o resultado mais provável para a China. A BCA Research, uma firma canadense de análise de investimento, estima que as despesas de capital relacionadas à Olimpíada tenham totalizado US$ 43 bilhões, uma soma vultosa, sem dúvida, mas apenas uma pequena porção da economia chinesa, de US$ 3,6 trilhões. Pequim responde por menos de 2% do investimento em ativos fixos da China. A maioria da industrialização - e, portanto, da demanda de recursos na China - ocorre em outras partes. Alguns analistas acreditam que o crescimento da China pode até acelerar depois do fim dos Jogos. Isso porque o país fechou algumas fábricas e empresas e suspendeu muitas construções antes que os atletas chegassem, para evitar poluição e congestionamento, e vai reabri-las e retomá-las mais tarde. O UBS estima que as instalações afetadas pelas paralisações correspondam a 1% ou 2% da produção industrial chinesa. De qualquer maneira, a interrupção deve resultar em volatilidade nas encomendas chinesas de matérias-primas, o que torna difícil para os investidores avaliar a verdadeira demanda do país por algum tempo. Se a economia chinesa desacelerar mais do que o esperado, é mais provável que isso decorra de problemas externos do que de uma ressaca pós-olímpica. A China depende da demanda dos EUA e da Europa para manter seu enorme setor industrial funcionando. Mas se a demanda externa cair ainda mais, a China deve liberar mais gastos em obras públicas, dizem analistas, exatamente o tipo de investimento que requer concreto, aço e outros produtos que necessitam de bastante commodity. O investimento público em infra-estrutura já cresceu 42% no primeiro semestre, em comparação com igual período de 2007, informa a CLSA, um aumento significativo em relação ao do ano anterior, que havia sido de 19%. Alemanha vai proteger suas empresas contra aquisição externa O gabinete da premiê da Alemanha, Angela Merkel, aprovou um projeto de lei destinado a proteger empresas alemãs de tentativas de aquisição por parte de estrangeiros indesejados. Os limites fixados para os investimentos refletem a preocupação do governo alemão com a crescente solidez dos fundos soberanos. Os fundos soberanos controlados por países como Rússia e China administram US$ 3,85 trilhões em ativos, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Essa carteira deverá alcançar US$ 15 trilhões até 2015, diz a instituição. O mecanismo para evitar que setores estratégicos sejam controlados por esse tipo de investidor fará com que qualquer companhia alemã tenha de obter licença para vender mais de 25% de suas ações a um investidor não-europeu. "A maior parte dos investimentos estrangeiros não será afetada pelo projeto de lei", disse o ministro da Economia do país, Michael Glos. "A Alemanha é e continua sendo aberta aos investimentos externos." Glos disse que a lei, que reforma uma legislação anterior, não fará nada mais do que dar à Alemanha um instrumento que os EUA, o Reino Unido e a França já têm há muito tempo. Ele prometeu que a proibição de investimentos externos será "extremamente rara" e que nenhum negócio em curso atualmente necessitará, em sua opinião, de ser analisado pela comissão que o governo montará para aplicar a lei. O endosso do gabinete foi um marco significativo para o projeto de lei, que agora segue para o Parlamento para a aprovação final. A decisão põe um fim a quase um ano de trabalho para a confecção do texto, já que os juristas tiveram de se desdobrar para não contrariar a legislação da União Européia que determina a livre movimentação de capital. Mesmo assim, a federação das indústria da Alemanha advertiu que o projeto ainda abre uma brecha na lei da UE e corre o risco de ser derrubada pela Corte Européia de Justiça. A federação disse que essa opinião consta de um parecer do escritório de advocacia Freshfields, Bruckhaus, Deringer. Para Werner Schnappauf, diretor-gerente da federação das indústrias, a lei também "manda sinais políticos negativos sobre o ambiente de investimentos da Alemanha". Ele acha que a legislação pode servir para espantar parte dos investidores estrangeiros que já colocaram ? 439 bilhões (US$ 644 bilhões) no país e que empregam 2 milhões de pessoas. A federação argumenta que a definição da lei quanto a segurança nacional é muito ampla e diz que a legislação da UE garante a livre movimentação de capitais tanto para os investidores europeus quanto para os não-europeus. Autoridades envolvidas com o projeto de lei disseram ao "FT" que o governo trabalhou bem de perto com a Comissão Européia. Uma modificação possível antes da aprovação final do projeto pode ser a separação do processo de veto em dois estágios - a definição da relevância estratégica da companhia a ser vendida e a avaliação das intenções do comprador. De qualquer modo, os defensores da lei já querem que ela seja empregada. Funcionários da Hapag-Lloyd, divisão de transporte marítimo da operadora de viagens alemã TUI, conclamaram o governo a barrar uma potencial venda da empresa à Neptune Orient Lines, majoritariamente controlada pelo fundo Temasek Holdings, do governo de Cingapura.
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