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Esta é uma coletânea diária das notícias sobre
meio ambiente divulgadas nos mais importantes jornais do país.
Boa leitura!
(Segunda-feira,
21 de Maio de 2008)
Valor Econômico
NATURA FAZ PARCERIA COM AMAPÁ PARA REPETIR LUCRO
LUIZA DE CARVALHO
Um novo modelo de acesso das empresas aos ativos naturais localizados em comunidades nativas será colocado em prática pela primeira vez no Amapá. A Natura assinou segunda-feira desta semana um contrato de repartição de benefícios com a comunidade da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru e com o governo do Amapá para explorar copaíba e castanha do Brasil, mais conhecida como castanha do Pará.
A comunidade receberá um percentual sobre o lucro da venda de produtos que contenham esses insumos, por meio de um fundo administrado pela Secretaria do Meio Ambiente do Amapá. Até então, esse tipo de contrato não tinha o intermédio de governos.
De acordo com dados do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen), órgão do Ministério do Meio Ambiente responsável pelas autorizações de acesso ao patrimônio genético, até agora 21 contratos de repartição de benefícios foram concedidos. No caso das empresas, o acesso não é pleiteado somente com a intenção de pesquisa, mas também de desenvolvimento tecnológico e bioprospecção, que é a exploração com potencial de uso comercial - desses tipos, há 71 processos em trâmite no órgão. As inúmeras imposições legais para o acesso, quase sempre restrito a empresas de grande porte, exigem anos de negociações com as comunidades.
O relacionamento da Natura com a comunidade do Iratapuru, onde moram cerca de 400 pessoas, teve início em 2000. Dois anos depois a empresa firmou um contrato para comprar breu branco, uma resina perfumada, castanha do Brasil e copaíba, planta cujo óleo tem uso medicinal e para a fabricação de perfumes. O contrato de repartição de benefícios assinado nesta semana, em negociação desde 2005 com a comunidade e a Secretaria do Meio Ambiente do Amapá, abrange os dois últimos ativos, deixando de lado o breu branco. As três partes envolvidas criarão um Conselho Deliberativo responsável pela administração dos recursos, que serão repassados pelo governo estadual e devem ser aplicados em benefício da região. "A própria comunidade escolherá que tipos de projetos merecerão o investimento", diz Rodolfo Guttilla, diretor de Assuntos Corporativos da Natura.
Para Manoel Reinaldo Costa Ferreira, presidente da comissão de acesso à biodiversidade do Amapá, a participação do governo no contrato é essencial para controlar o acesso ao patrimônio genético e às comunidades doEstado, que possui cerca de 92% de suas florestas preservadas. Isso porque a Medida Provisória nº 2.186, de 2001, conhecida como Lei da Biodiversidade, não especifica certos critérios da repartição de benefícios e, nesse caso, é complementada pela legislação estadual.
Há outras empresas de olho na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru. A International Flavors & Fragances (IFF) do Brasil, multinacional que vende aromas e fragrâncias a cerca de 400 indústrias de bens de consumo, possui um contrato de compra de castanha com a comunidade desde 2006 e agora tenta estabelecer a repartição de benefícios - um contrato similar ao da Natura que está sob análise do governo do Amapá.
Valor Econômico
QUER VENDER A EMPRESA? LIGUE PARA O BUFFET
ASSIS MOREIRA
O homem mais rico do mundo, o investidor americano Warren Buffett, sinalizou ontem que está aberto a aquisições no Brasil. E fez uma sugestão a quem estiver interessado em vender: "Me telefonem". "Eu certamente compraria uma companhia brasileira e me sentiria muito confortável com isso", disse ele ao Valor. Há dois critérios para um negócio: primeiro, ele precisa entender o que a companhia faz. Segundo, a empresa precisa ter ganhos anuais de ao menos US$ 75 milhões antes dos impostos. Em entrevista em Lausanne, ele deu até o telefone para contatos: 402-346-1400. Depois, o Valor telefonou para o número nos EUA e pediu para falar com Buffett. A telefonista indagou qual o assunto e informou que os critérios para aquisições encontram-se na internet.
Investimento Homem mais rico do mundo tem interesse pelo Brasil
Buffett vai às compras e sugere: "Me telefonem"
Assis Moreira, de Lausanne.
Warren Buffett: "Eu certamente compraria uma companhia brasileira e me sentiria muito confortável com isso".
O homem mais rico do mundo, o investidor Warren Buffett, sinalizou ontem que está aberto para fazer aquisição no Brasil. E fez uma sugestão a quem estiver interessado em vender: "Telefonem-me".
"Eu certamente compraria uma companhia brasileira e me sentiria muito confortável com isso", disse ele ao Valor.
Mas ressalvou que há dois critérios para um negócio: primeiro, ele precisa entender o que a companhia faz. E segundo, a empresa precisa ter ganhos anuais de pelo menos US$ 75 milhões antes de imposto.
Durante entrevista em Lausanne, onde demonstrou interesse também por outras regiões, ele deu até o número do telefone para procurá-la: 402-346-1400. Mais tarde, o Valor telefonou para o número, nos EUA, e pediu para falar com Buffett. A telefonista indagou qual o assunto, e depois retrucou que os critérios para aquisições encontram-se na internet.
Para Buffett, quanto maior o país, mais provável encontrar um negócio com os critérios, e sugeriu que os interessados enviem também fax ou carta.
Procurando ilustrar seu interesse no Brasil, ele disse que o real é a única moeda estrangeira que mantém em seu portfólio este ano. "´Com o real a 1,65 (em relação ao dolar), estou muito contente que fizemos isso"´, afirmou. No ano passado, sua aposta no real lhe rendeu US$ 100 milhões.
Warren Buffett está em viagem pela Europa procurando companhias familiares para investir. Passou por Frankfurt, ontem esteve em Lausanne e vai agora para Espanha e Itália.
Na entrevista realizada no campus do IMD, a principal escola de executivos da Europa, ele disse que seu "tour" para eventual aquisição na Europa não significa desapontamento com os negócios nos EUA.
O que acontece, segundo ele, é que sua holding de investimentos Berkshire Hathaway, está "mais na mente de proprietários nos EUA do que na Europa" e espera que a viagem possa corrigir essa situação.
Reiterou que quando compra um negócio, pensa no longo prazo. E provocou risos da platéia quando respondeu a um jornalista da Noruega: "Se você achar uma empresa norueguesa com mais de US$ 75 milhões de ganho antes dos impostos e tem um negócio que eu entenda, eu pago a você uma comissão".
Certo mesmo é que não é esta semana que ele espera fechar qualquer compra na Europa. Tampouco citou alvos específicos na Europa. Mencionou exemplos de negócios que entende, com o da Nestlé, mas disse que ela não está na lista, ou da Rolex, a companhia relojoeira de luxo, "mas eles não me telefonaram".
No IMD, ele estava acompanhado de Eitan Wertheimer, presidente da Iscar Metalworking, uma empresa familiar israelense, da qual adquiriu 80% recentemente, e ilustrou como opera.
Contou que as vezes não precisa de mais de 15 minutos, as vezes menos, para fechar um negócio. "Quando vejo que não temos os mesmos valores, digo logo que é melhor parar por aqui, não vamos perder tempo". No caso da Iscar, ele recebeu uma carta de página e meia do proprietário e percebeu que tinha os princípios de negócio que ele respeita - a paixão pela empresa, crescimento de longo prazo e nenhuma obsessão por ganhos imediatos. Ao ler a carta, decidiu conhecer o proprietário e futuro sócio.
A passagem de Buffett pelo IMD, ontem, chegou a ser transmitida ao vivo em alguns momentos por um canal de TV de notícias econômicas.
O chamado "oráculo de Ohama", sua cidade em Nebraska, disse que a queda do dolar contra o euro e outras moedas não afetou seus investimentos, e que tanto faz aquisições em euro como também ganha nessa moeda. Acredita que o euro continuará relativamente forte no longo prazo, mas não entrou em detalhes.
Indagado qual é o sentimento de ser o homem mais rico do mundo, com fortuna superior a US$ 50 bilhões, Warren Buffett retrucou que isso não aumentou o uso de seu cheque, e continua morando na mesma casa avaliada em US$ 700 .
Ele contou que fez o primeiro negócio com 11 anos de idade, negociando ações; aos 25 anos já tinha o dinheiro de que precisava para as coisas que queria, mas que ser muito rico não é ruim.
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