>> Esta é uma coletânea diária das notícias sobre meio ambiente divulgadas nos mais importantes jornais do país.
Boa leitura!

(Terça-feira, 24 de Junho de 2008)
Gazeta Mercantil
SIDERURGIA JAPONESA VAI REDUZIR EMISSÕES

O setor siderúrgico do Japão, que responde por cerca de um terço dos gases estufas do país, informou que o governo deve confirmar que a indústria de carvão irá reduzir as emissões antes de implementar limites de controle dos gases prejudiciais eliminados no ar.

"São necessárias mais discussões para determinar os custos e benefícios de um plano referente às emissões", disse Shoji Muneoka, chairman da Japan Iron & Steel Federation, ontem, aos jornalistas.

Muneoka, que também é presidente da Nippon Steel com sede em Tóquio, segunda maior fabricante de aço, se opôs a um plano que o primeiro-ministro japonês Yasuo Fukuda anunciou este mês para lançar um teste de limite de emissões no outono, utilizando um sistema de limitações negociadas.

 

Gazeta Mercantil
NESTLÉ PEDE À UE REGRAS MAIS FLEXÍVEIS

O presidente da gigante suíça da alimentação Nestlé, Peter Brabeck, pediu à União Européia (UE) regras mais flexíveis sobre os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) para enfrentar a escalada de preços das matérias-primas agrícolas. "Não se pode alimentar o planeta sem os Organismos Geneticamente Modificados", afirmou Brabeck em entrevista ao jornal britânico Financial Times.

"Temos os meios para obter uma agricultura viável a longo prazo", acrescentou, ao lamentar a falta de compromisso político a favor dos OGM. A oposição da UE aos OGM favoreceu a recusa da tecnologia na África, segundo o presidente da Nestlé. "A UE tem pressionado politicamente para impedir que alguns países utilizem Organismos Geneticamente Modificados", afirmou, antes de assegurar que esta atitude "não é necessariamente positiva para a agricultura destes países nem para suas reservas".

"Os OGM são uma das tecnologias mais seguras que já vimos, muito mais seguras que (os produtos) biológicos ou ecológicos da moda na Europa", acrescentou Brabeck. O milho MON810, concebido pelo grupo agroquímico americano Monsanto, é o único cultivo de OGM presente na UE, essencialmente na Espanha.

PERFIL DA EMPRESA

A Nestlé é a maior empresa mundial de Nutrição, Saúde e Bem-estar, que opera em 86 países com marcas mundialmente consagradas. Hoje, a Nestlé Brasil é o segundo maior mercado do Grupo no mundo em volume de produção e o quinto em faturamento.

 

Gazeta Mercantil
CONCEITO CHEGOU AO CENTRO DAS ESTRATÉGIAS

Desde a criação dos princípios para elaboração de relatórios de sustentabilidade da Global Reporting Initiative (GRI) em 1999, o número de empresas adeptas das diretrizes cresceu de 20 para 1,5 mil. A iniciativa conta com apoio das maiores companhias do mundo. No ranking das 10 maiores marcas eleitas pela revista "Business Week", sete utilizam os parâmetros da GRI para elaboração de seus relatórios.

Para Ernst Ligteringen, presidente da organização, os números revelam avanços na discussão da sustentabilidade, principalmente, quanto à percepção em torno da prática desse conceito, que saiu da periferia para o centro da estratégia do negócio.

"Observo uma evolução no debate sobre sustentabilidade. Há três anos, a pergunta central nas empresas era: Devemos fazer relatórios de sustentabilidade? Hoje, as companhias se preocupam em como produzir relatórios melhores e mais úteis para o próprio negócio e para os leitores. Já se percebe que o relatório constitui uma fonte de informação importante para investidores, consumidores, organizações não-governamentais e uma rede cada vez mais abrangente de acionistas", ressalta ele.

As informações sobre os resultados econômicos, ambientais e sociais da empresa influenciam cada vez mais a tomada de decisão de consumidores, investidores, entre outros acionistas. Nove em cada dez entrevistados pela GRI, e as consultorias KPMG e SustainAbility, durante a pesquisa "Count me in: The readers take on sustainability reporting", acham que os relatórios de sustentabilidade têm tido impacto positivo na percepção dos leitores em relação à companhia e adicionam valor à marca.

Os entrevistados também citaram como fator mais importante para produção do relatório a habilidade de integrar a sustentabilidade à estratégia do negócio. "Os relatórios devem apresentar a estratégia da empresa, seus resultados econômicos, ambientais e sociais. Trata-se de uma oportunidade para as companhias explicarem assuntos complexos, exatamente como os leitores desejam. Eles não querem ouvir apenas sobre boas histórias. Querem uma analise séria ou a explicação minuciosa dos resultados da companhia. Em resumo, desejam apenas a verdade dos fatos", completa Ligteringen.

O presidente da GRI defende que governos e organizações do terceiro setor também sigam parâmetros para elaboração de relatórios de sustentabilidade. "Assim como as empresas, os governos e organizações não-governamentais também devem ser transparentes. E a produção de relatórios é uma forma de assegurar isso", afirma. Essas e outras idéias do presidente da GRI estão a seguir, na entrevista exclusiva dada à Idéia Socioambiental.

IS - O que é necessário para que o relatório de sustentabilidade funcione como uma ferramenta para gerenciar aspectos econômicos, sociais e ambientais na empresa?
nte na Espanha.

EL - A produção dos relatórios de sustentabilidade deve estar integrada ao negócio. Algumas empresas já fazem isso. Outras, porém, delegam essa atividade a um profissional de comunicação. Quando todos os departamentos da empresa participam da produção do relatório, o resultado final é muito mais condizente com a sua realidade. Além disso, essa metodologia de trabalho ajuda a companhia a analisar os efeitos do relatório a partir do diálogo com as partes interessadas. Essa aproximação com os acionistas é o que vai diferenciar o documento.

IS - Ser transparente também é uma forma de encontrar novas oportunidades de negócios?

EL - O relatório de sustentabilidade constitui uma via de mão dupla, um processo de aprendizado. Não se trata apenas de prestar contas a funcionários, clientes e demais públicos de interesse. Quando se estabelece o diálogo com os acionistas, também se obtém informações de como eles vêem os desafios sociais, econômicos e ambientais enfrentados pela empresa. Além de avaliar a performance da companhia, as partes interessadas podem oferecer indicadores valiosos em relação a novas oportunidades e áreas de investimentos.

IS - Como o senhor avalia iniciativas para estabelecer processos em que os acionistas participem diretamente da criação do relatório de sustentabilidade, como o formato "wikiporting" anunciado recentemente pela Natura e pelo Banco Real?

EL - Como o relatório de sustentabilidade é algo novo, os processos e diretrizes que envolvem sua prática estão sempre em evolução. Por isso, inovações como essa são sempre bem-vindas. Além disso, a metodologia wiki estimula muitas pessoas a trocar idéias, o que facilita o envolvimento e integração dos acionistas em processo de diálogo dinâmico. Nesse sentido, o "wikiporting" é uma inovação que pode reforçar a prática dos relatórios de sustentabilidade.

IS - O que é necessário para uma companhia chegar a esse estágio e iniciar um processo colaborativo de produção do relatório de sustentabilidade?

EL - Essa prática é muito nova. A Natura anunciou que desenvolverá um relatório no formato wiki, em maio, na última convenção da Global Reporting Initiative, realizada na Holanda. Trata-se de uma idéia que a empresa pretende adotar no âmbito dos princípios do GRI. Vejo essa metodologia como um enorme potencial a ser explorado, podendo estreitar o diálogo com acionistas. Mas o formato wiki não poderá substituir todos os aspectos do relatório de sustentabilidade. Penso que ele é mais um elemento do processo. Devemos avaliar até onde podemos ir com uma experiência colaborativa. Para isso é preciso experimentar todas as suas possibilidades.

IS - O senhor acredita que o relatório wiki pode substituir o painel com acionistas?

EL - Somente a experiência vai nos mostrar isso. Mais importante do que o formato do relatório em si é em que nível se dá a integração com os acionistas. O wiki apresenta vantagens pelo potencial de integração, a partir de um canal de comunicação online. A implementação dessa ferramenta poderá apontar direções quanto à seleção do conteúdo e estrutura do relatório. Acho que é uma boa idéia, mas precisa ser experimentada primeiro para sabermos as verdadeiras oportunidades.

IS - Que características um relatório de sustentabilidade deve apresentar para ser uma fonte de informações confiável para consumidores e investidores, entre outros públicos de interesse?

EL - As diretrizes da Global Reporting Initiative têm exatamente esse objetivo. A organização surgiu há 10 anos com o intuito de aproximar empresas, organizações não-governamentais, universidades e sindicatos, entre outros públicos de interesse no processo de produção do relatório de sustentabilidade. Os princípios da GRI incluem 79 indicadores para auxiliar as companhias a definir os assuntos-chave a serem abordados no relatório. As diretrizes apontam o caminho para a produção de um relatório que faça sentido e ajude na tomada de decisão. Isso já acontece em relação a alguns leitores. No entanto, investidores ainda não usam os relatórios de sustentabilidade com tanta freqüência. Para que isso se torne possível, é importante fortalecer o diálogo com eles, avançar na prática dos demais princípios e transformar os relatórios em fontes de informação cada vez mais confiáveis.

IS - A produção de relatórios de sustentabilidade também é uma tendência para governos e organizações do terceiro setor?

EL - Absolutamente sim. Assim como as empresas, os governos e organizações do terceiro setor também devem ser transparentes. E a produção de relatórios de sustentabilidade é uma forma de assegurar isso. No G3 (a última versão dos princípios da GRI), estabelecemos diretrizes específicas para os diferentes segmentos da indústria e também desenvolvemos indicadores para agências públicas. Nesse momento, estamos trabalhando junto às organizações não-governamentais para criar indicadores específicos para esse setor.

IS - Desde a criação dos princípios da GRI para elaboração de relatórios de sustentabildiade, que conquistas e desafios o senhor destacaria?

EL - Vejo uma evolução importante no debate sobre a sustentabilidade. Há três anos a pergunta central era: "Devemos fazer relatórios de sustentabilidade?". Hoje, as companhias se preocupam em como produzir relatórios melhores e mais úteis para o próprio negócio e para os leitores. Já se percebe que o relatório é uma fonte de informação importante para investidores, consumidores, organizações não-governamentais e uma rede cada vez mais abrangente de acionistas. Hoje há um grupo cada vez maior de pessoas que procuram repostas nos relatórios de sustentabilidade em relação aos impactos ambientais e sociais do negócio. Querem saber, por exemplo, as soluções que as empresas apresentam para a crise de energia, o aquecimento global ou, em relação ao biocombustíveis, como assegurar que eles não prejudiquem o abastecimento de alimentos. Essas informações podem e devem ser obtidas em um bom relatório de sustentabilidade. Documentos como estes devem apresentar a estratégia da empresa, seus resultados econômicos, ambientais e sociais. Trata-se de uma oportunidade para as companhias explicarem assuntos complexos, exatamente como anseiam os leitores. Os indivíduos já não querem mais ouvir apenas sobre boas histórias. Desejam uma analise séria ou a explicação dos resultados da companhia. Querem apenas a verdade dos fatos.