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Esta é uma coletânea diária das notícias sobre
meio ambiente divulgadas nos mais importantes jornais do país.
Boa leitura!
(Segunda-feira,
24 de Novembro de 2008)
Jornal do Commércio do Rio de Janeiro
SUSTENTABILIDADE E BONS NEGÓCIOS
A busca por lucratividade baseada em processos sustentáveis é, hoje, uma realidade, que visa o equilíbrio entre três pilares - ambiental, econômico e social, para obter bons negócios. Em uma gestão responsável é preciso que as práticas sustentáveis sejam multiplicadas entre todos os atores envolvidos. Toda a rede de fornecedores, parceiros, clientes e até mesmo consumidores e governos, devem estar comprometidos com a causa.
Portanto, a sustentabilidade exige a convergência de mercados em busca de objetivos comuns, buscando ações e ferramentas que contribuam para essa integração. Ao percebermos que apostar em crescimento sustentável é investimento e não despesa, tanto para empresas privadas como para o setor público, todos sairão beneficiados.
Do lado corporativo, além de fortalecer as estruturas da empresa no mercado, oferecendo credibilidade e confiabilidade à marca, a visão sustentável também auxilia a companhia na aquisição de créditos e contribui com a eficiência do negócio, gerando maior lucratividade.
Alguns fatos do mercado mundial também já demonstram algumas mudanças significativas. Por exemplo, as principais bolsas de valores do mundo, incluindo a Bovespa, possuem índices diferenciados para os negócios sustentáveis e suas ações têm mostrado uma estabilidade maior do que as outras, mesmo, em tempos de crise. Os bancos de varejo disputam a posição do “mais sustentável”, afinal, esse valor significa ainda mais segurança no longo prazo.
No Brasil, o investimento em controle ambiental das indústrias passou de R$ 2,2 bilhões, em 1997, para R$ 4,1 bilhões, em 2002, dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA-empresa). Foi considerada, além da aquisição de máquinas indústrias que incorporam a concepção de tecnologia limpa, a aquisição de equipamentos, obras com estação de tratamento e gastos para colocar esses itens em funcionamento.
Cada vez mais, é preciso estar atento aos novos nichos de mercado. Principalmente em tempos de crise, os negócios “verdes” podem gerar grandes oportunidades de negócio. A ONU estima que a economia “verde” deverá contribuir, no mundo, com mais de 20 milhões de empregos até 2030. Esperamos que essas estimativas cresçam ainda mais e que, com uma maior consciência, possamos romper com o atual processo de desenvolvimento a qualquer custo para alcançar o desenvolvimento sustentável.
Revista IstoÉ Dinheiro
A CHINA ESTÁ PARANDO. E AGORA
GUSTAVO GANTOIS
O pacote bilionário em infra-estrutura é um sinal de que a crise chegou ao país - e isso interessa ao Brasil.
Era para ter sido um sopro de alívio em meio ao momento mais agudo da crise financeira mundial. Mas, ao fim e ao cabo, o anúncio de um megapacote de investimentos estimados em US$ 586 bilhões pelos próximos dois anos, feito pelo governo chinês, acabou mostrando que nem o país responsável por 27% do crescimento global no ano passado está incólume. A China está parando. E, com isso, todo um ciclo de desenvolvimento que tomou conta dos últimos cinco anos está chegando ao fim. Fragilizada pelas dificuldades internas, a economia chinesa sofreu um baque maior do que o esperado com a crise, o que levou ao fechamento de 70 mil fábricas no sul do país, onde estão concentradas as indústrias exportadoras que empregam o maior número de pessoas. Os indicadores são precisos nesse momento. O aumento no consumo de energia caiu de uma taxa de 5,1% em agosto para 3,6% em setembro. A inflação bate em 8,7%. O crescimento, que vinha na casa de dois dígitos, deve encerrar o ano em 9,5% e, para o ano que vem, periga orbitar entre 6% e 9%. À primeira vista o índice pode ser ainda alto, mas não para um país que passou a ser o maior exportador para os Estados Unidos, um mercado que compra cada vez menos. "A melhor maneira que a China tem de ajudar nesta crise internacional é manter o seu nível de crescimento", disse o presidente do Banco Popular da China, Zhou Xiaochuan.
Há diferenças contrastantes entre o megapacote chinês e o montante disponibilizado pelos Estados Unidos. Enquanto o primeiro será investido diretamente no crescimento econômico, o segundo servirá para salvar os bancos da bancarrota. Ainda assim, não quer dizer que os ganhos para o restante do mundo serão sentidos imediatamente. "Os estoques chineses ainda são altos e não há nenhuma sinalização de que possamos ganhar mais, seja no preço das commodities, seja no aumento das nossas vendas", avalia José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil. De fato, cerca de 70 milhões de toneladas de ferro estão estacionadas nos portos da China, aguardando pelo consumo. Como esse número talvez não seja suficiente para absorver a demanda de matéria-prima que o pacote causará, com investimentos em estradas, ferrovias, aeroportos e fontes alternativas de energia, o Brasil ainda pode sair ganhando. "Certamente manteremos um ritmo considerável de compras do Brasil", disse à DINHEIRO o embaixador da China no Brasil, Chen Duqing.

Mesmo com promessas desse tipo, causa preocupação ao governo brasileiro o atual ritmo das trocas comerciais. Neste ano, haverá déficit recorde com a China. As compras de produtos chineses vão superar em mais de US$ 2 bilhões as vendas do Brasil ao mercado asiático. Até outubro, mesmo com menor ritmo de crescimento, o déficit já chegou perto do registrado em 2007. "A China continua e continuará a importar muitos manufaturados, mas não do Brasil", diz Ivan Ramalho, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento. Além disso, é motivo de apreensão a recusa dos chineses em querer renegociar contratos com os grandes fornecedores brasileiros, como a Vale, que foi obrigada a recuar do reajuste no preço do minério de ferro. "Podemos ter surpresas pela frente, mas dificilmente voltaremos ao período de vacas gordas que tivemos até o início do ano, quando, ironicamente, a China deu início a um pacote para arrefecer a economia", lembra Rodrigo Maciel, secretário-executivo da Câmara de Comércio Brasil-China.
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