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Boa leitura!

(Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008)
O Estado de São Paulo

BRASIL É O SEGUNDO MAIOR CREDOR AMBIENTAL DO PLANETA

WWF afirma que País ainda exporta produtos com alto valor agregado ecológico; no mundo, demanda por recursos exigiria 2 Terras em 2030.

CRISTINA AMORIM

O Brasil é credor - pelo menos, na área ambiental. Segundo um relatório lançado ontem pela ONG WWF, o País é uma das nações (está em segundo lugar, logo atrás dos Estados Unidos) que melhor reúnem condições para produzir bens a serem consumidos internamente e, principalmente, externamente.

É o caso das exportações. Quando a União Européia compra carne da Amazônia, indiretamente ela também importa a água e todos os demais recursos naturais que viabilizaram o crescimento do gado na região - inclusive a floresta que foi cortada e substituída por pasto.

Acontece que o valor desse serviço ambiental não é computado no preço final do produto. “Esses custos deveriam ser embutidos”, afirma Irineu Tamaio, coordenador do programa de Educação para Sociedades Sustentáveis do WWF-Brasil. Para ele, o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) deveria levar em consideração os recursos naturais necessário para a geração da riqueza.

Tamaio alerta que a atual confortável posição de credor ambiental não é garantida para sempre. Sem um sistema produtivo sustentável, que permita a renovação dos recursos naturais, o País pode se tornar um devedor na área. “Não podemos é entrar em um déficit ecológico. Se não revermos os modelos econômicos, podemos entrar em colapso”, diz.

Peso pesado

O relatório também traz o tradicional ranking do WWF de quais países têm as “pegadas ecológicas” mais pesadas, metáfora para nosso impacto no planeta.

O índice representa a área, terrestre e aquática, biologicamente produtiva necessária para fornecer a uma única pessoa comida, fibra, madeira, terreno para construção e terra para absorver o carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis, como o petróleo.

A média mundial é de 2,7 hectares, mas a média entre os países ricos é bem superior: 6,4 ha. A pegada mais pesada é a do morador dos Emirados Árabes Unidos, grande produtor de petróleo: ela mede 9,5 ha. Logo em seguida estão os americanos, com 9,4 ha. O Brasil está na 63ª posição, com pegada de 2,4 ha - a média dos emergentes é de 2,2 ha.

O homem já excede em 30% a capacidade de o planeta se regenerar. Nesse ritmo, em 2030 precisaríamos de duas Terras para manter nosso estilo de vida.

Contudo, o relatório é baseado em dados de 2005. Caso a crise econômica que atinge hoje o mercado global persistir, o panorama pode mudar ligeiramente, uma vez que a tendência é a de redução do consumo, diz Tamaio.