Durante a abertura do “Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde 2017: conectando pesquisas e soluções” (CTIS 2017), evento promovido pelo Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (Decit/SCTIE/MS), ocorreu o lançamento do livro “Avanços e Desafios no Complexo Industrial em Produtos para Saúde”.  Trata-se de uma consolidação  de estudos e projetos desenvolvidos no setor de produtos para a saúde, com o intuito de contribuir como base de dados significativa para avanços no setor de desenvolvimento e inovação.

“A área de produtos para a saúde tem um DNA que tem muito a ver com o território nacional, com um potencial de desenvolvimento muito grande”, disse Rodrigo Gomes Marques Silvestre, Diretor do Departamento do Complexo Industrial e Inovação em Saúde (DECIIS) durante a abertura do evento.

Segundo Silvestre, o MS identificou que muitos projetos excelentes estavam sendo feitos, mas não tinham a devida visibilidade. “Não queríamos fazer apenas um relatório frio e, dado o potencial que identificamos nessa área, estava faltando, além de apresentar os resultados alcançados, registrar nossos desafios e oportunizar o retorno à comunidade, contribuindo com a geração de conhecimento.

O gerente de estratégia regulatória da ABIMO e superintendente do Comitê Brasileiro Odonto-Médico-Hospitalar da ABNT (ABNT/CB-026), Joffre Moraes, foi um dos autores da obra, escrevendo o capítulo sobre a Internalização de Normas Técnicas Internacionais no setor de produtos para a saúde. “Temos trabalhado para promover a concorrência igualitária entre os fabricantes de produtos médico-hospitalares e aperfeiçoar a qualidade destes produtos por meio do Projeto de Internalização de Normas Técnicas, resultado de uma parceria entre a ABIMO, o Ministério da Saúde (MS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)”,explica Moraes. “Mostrar o nosso trabalho com a chancela do Ministério da Saúde muito nos orgulha e, acima de tudo, mostra a preocupação com a qualidade que tem a nossa indústria”, diz ele, afirmando que a internalização de normas internacionais implica ao nosso mercado uma incorporação de padrões de qualidade difundidos em países de primeiro mundo, agregando valor aos produtos nacionais, tanto no país, como no mercado externo.

O ABNT/CB-026 é responsável pela Normalização no campo odonto-médico-hospitalar compreendendo produtos correlatos de saúde tais como: materiais, artigos, aparelhos, dispositivos, instrumentos e acessórios cujo uso ou aplicação na prática médica, hospitalar, odontológica e de laboratório estejam associados às ações e serviços de saúde, no que concerne a terminologia, requisitos, métodos de ensaio e generalidades. Excluindo-se a normalização de radiação não-ionizante que é de responsabilidade do ABNT/CB-20.

EVENTO

O CTIS contou ainda com a presença de 48 representantes de instituições nacionais e internacionais, incluindo o vencedor do prêmio Nobel de Medicina em 1998, Ferid Murad. O objetivo foi debater os maiores avanços científicos de temas emergentes da agenda de saúde, buscando a troca de conhecimento, o estímulo à inovação no país e a conexão entre resultados de pesquisas e a geração de soluções em saúde.

Uma Feira de Oportunidades com mais de 50 estandes e mais de 25 Rodas de Conversa reuniram durante os dois dias de evento os atores que compõem o sistema de ciência, tecnologia e inovação em saúde do Brasil, na qual a ABIMO também esteve presente. Também houve espaço para órgãos reguladores a fim de facilitar o acesso e a interlocução dos grupos pertencentes ao setor saúde às entidades relacionadas à inovação, tanto do setor público quanto privado (Anvisa, Conep, INPI, CMED, Conitec, Jansen, GSK, Universidades Federais, Rede Nacional de Terapia Celular, dentre outros).

No primeiro dia de evento houve também a cerimônia de entrega do Prêmio de Incentivo em Ciência, Tecnologia e Inovação para o SUS – 2017 que visa valorizar a comunidade científica que contribui para o desenvolvimento das políticas públicas de saúde no país. O prêmio está na décima sexta edição e contabilizou 522 projetos inscritos. O ministro da Saúde, Ricardo Barros, entregou 32 premiações: “Precisamos conciliar que o preço das novas tecnologias não seja um fator impeditivo para o seu desenvolvimento. Estamos tratando de um grande desafio, que é permitir que os pesquisadores e empresários possam produzir essas funções tecnológicas para que todos nós possamos viver bem com os recursos que os SUS disponibiliza”, destacou o  ministro Ricardo Barros.

“Estão sendo premiados aqueles que conseguiram fazer com que suas inovações virassem produto de fato e que contribuísse com o desenvolvimento do Brasil. É necessário criar um ambiente favorável para que as pesquisas e produtos possam ser desenvolvidos e que favoreçam prontamente os usuários do SUS. Vamos avançar nesse rumo para dar um salto qualitativo nas pesquisas e conseguir mais espaço para as inovações”, afirmou Marco Fireman, Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.

Os trabalhos foram avaliados em etapas distintas, nas categorias acadêmicas, a primeira fase é analisada por especialistas ad hoc e a segunda pela comissão julgadora, na categoria de Experiência Exitosa do Programa Pesquisa para o SUS, a primeira etapa se constitui de duas avaliações da FAP e SES de cada estado e a segunda pela comissão julgadora. Já a categoria de Produtos e Inovação em Saúde é analisada de maneira única pela comissão julgadora.

Até o ano passado, se inscreveram no prêmio 5.872 estudiosos, destes 370 foram premiados, sendo 63 com prêmio em dinheiro e 307 premiações com menções honrosas, fortalecendo o compromisso do Ministério da Saúde de incentivar a produção científica com o potencial de incorporação no Sistema Único de Saúde.