Foi instalada ontem (26/07), a Comissão de Estudo de Combustível Derivado de Resíduos (ABNT/CE-177:003.001), que terá como objetivo discutir e estabelecer, por consenso, regras, diretrizes ou características para o referido assunto. Ela faz parte do Subcomitê de Resíduos Sólidos, que integra o Comitê de Saneamento Básico da ABNT (ABNT/CB-177), que é responsável pela Normalização no campo do saneamento básico, compreendendo tratamento e abastecimento de água; coleta, tratamento e disposição de esgoto doméstico e de efluentes industriais; aterros para resíduos industriais e sólidos; tubos e conexões; fossas sépticas, tubulações e conexões no que concerne aos requisitos, métodos de ensaio, projetos e procedimentos para execução, instalação e manutenção dos serviços. Excluindo-se tubos e conexões do âmbito do ABNT/CB-18 e ABNT/CB-28.

 

Em fevereiro deste ano foi criado um Grupo de Trabalho em Mato Grosso para a elaboração de uma norma, com validade nacional, de padronização do uso de resíduos de madeira como combustível. Na ocasião, a formalização foi entregue ao presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Jandir Milan, porém a Comissão geral foi instalada formalmente agora em julho.

 

Na abertura da instalação, o vice-presidente do Conselho Deliberativo da ABNT, Mario William Esper fez as honras e falou um pouco sobre a importância das normas para o segmento, enfatizando que temos um imenso potencial, em especial a região do Mato Grosso, no uso dessa energia, na qual o Brasil é pioneiro. Esses resíduos podem ser usados na geração de energia, em caldeiras, fábricas de cimento e esmagadoras de soja, por exemplo.

A iniciativa foi apresentada como um marco importante para o estado e, consequentemente para o país, pois trata-se da primeira Comissão ABNT fora do eixo Rio-São Paulo. “Mato Grosso pode se considerar pioneiro ao liderar uma Comissão da ABNT. Estamos ansiosos para ver o resultado desse trabalho e ficaremos a disposição o tempo todo para auxiliar no que for preciso”, complementou Mario William.

O especialista em política e indústria da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Mário Augusto de Campos Cardoso, reforçou que a iniciativa contempla o previsto na política nacional de resíduos sólidos e que, paralelamente, contribui ainda na discussão da política nacional sobre mudanças climáticas, no que diz respeito a aumentar a participação das energias renováveis na matriz e na redução das emissões de gases do efeito estufa. “Apenas a soma de todos esses fatores já é justificativa suficiente para a discussão de uma proposta como essa. Mais ainda, se agregarmos o fato de propiciar uma fonte de renda, de negócio, extra ao produtor e ao industrial da madeira. Acredito que Mato Grosso tem a maturidade dos atores necessários para construir essa proposta e a CNI vai dar todo o apoio”.

A Fiemt também empenhou sua atenção na condução dos trabalhos da Comissão. O presidente, Jandir Milan, tem pressa nos resultados. “Queremos chegar a uma solução viável no prazo mais curto possível, para que o setor se beneficie, principalmente, em momentos de crise como esse que o país enfrenta, onde novas oportunidades são fundamentais”, disse.

Os resíduos madeireiros, principalmente o pó de serra, são fonte de preocupação constante do setor, pois precisam de destinação adequada e, nem sempre, as soluções existentes são viáveis logística e economicamente. “Esperamos construir uma proposta que tenha a garantia técnica necessária para que o setor possa dar a destinação adequada ao resíduo, com benefícios econômicos e ambientais”, apontou o presidente do Cipem, Rafael Mason.

A construção da proposta vai depender de esforços de múltiplos atores, principalmente, dos órgãos gestores e fiscalizadores que precisaram dirimir incongruências entre o que foi estabelecido tecnicamente e o que será necessário para sua aplicação prática. “A ABNT cria uma norma técnica de caráter voluntário e consensual. A aplicação dela depende de uma Norma Regulamentadora, estabelecida pelos órgãos públicos”, revelou o diretor técnico da ABNT, Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone.

O evento foi realizado no auditório da Fiemt, em Cuiabá e contou com a participação de diversas autoridades, como: o presidente da Associação Mato-grossense de Engenheiros Florestais (AMEF), Benedito Carlos de Almeida; o superintendente de Gestão Florestal da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Luiz Felipe Leal Weissheimer; a coordenadora de Reflorestamento (CREF) da Superintendência de Gestão Florestal da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Tatiana Paula Marques De Arruda; o diretor da Associação dos Reflorestadores do Estado de Mato Grosso (AREFLORESTA), Fausto Hissashi Takizawa; o Prof. Dr. Adj. I- Energia da Biomassa Florestal e Tecnologia e Utilização dos Produtos Florestais da Faculdade de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Mato Grosso, Aylson Costa Oliveira; o superintendente de Desenvolvimento Florestal da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (SEDEC), José Juarez Pereira de Faria; o deputado Estadual de Mato Grosso, Dilmar Dal Bosco; o técnico Legislativo de Nível Superior da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, Gideon Dani Rosa; representantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) e Ordem dos Advogados (OAB-MT).

O próximo passo será a reunião do GT para a elaboração dos documentos-base para a construção da proposta, o que deverá ocorrer nos próximos dias, sob a orientação de documentos e diretrizes estabelecidas pela ABNT.

Mário William Esper, vice-presidente do Conselho Deliberativo da ABNT fez a abertura falando sobre a importância das normas para o setor.

 

Abertura do evento.

 

Mário William Esper, vice-presidente do Conselho Deliberativo da ABNT; Jandir Milan, presidente da Fiemt e Rafael mason, presidente do Cipem.

 

Palestra de Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone, diretor técnico da ABNT.

 

Eugenio Guilherme Tolstoy de Simone, diretor técnico da ABNT.