O greenwashing é uma ação que as empresas realizam para "maquiar" produtos e tentar passar a ideia de que eles são ambientalmente corretos, provêm de processos sustentáveis, entre outros. Assim, termos e expressões como “eco”, “ecológico”, “menos poluente” e “sustentável” começam a aparecer nas embalagens e rótulos de diversos produtos, na tentativa de indicar que as empresas são ambientalmente responsáveis.

Isso acaba fazendo com que os consumidores fiquem em dúvida se de fato as empresas são “verdes” como prometem, o que acaba gerando confusão e desconfiança, afastando-os dos produtos que são ambientalmente corretos. Por esse motivo, a transparência é fundamental!

A ABNT possui um Programa de Sustentabilidade, que engloba três programas ambientais: o Rótulo Ecológico, Gases de Efeito Estufa (GEE) e Pegada de Carbono.

 

O Rótulo Ecológico ABNT é uma certificação voluntária que atesta que um determinado produto causa menos impacto ao meio ambiente quando comparado com um produto similar não rotulado. Segue as normas ABNT NBR ISO 14020:2002 e ABNT NBR ISO 14024:2004, sendo classificado como um selo de Tipo I, ou seja, que leva em consideração a avaliação do ciclo de vida do produto, em todas as etapas do processo: extração de recursos, fabricação, distribuição, utilização do produto e descarte. É, portanto, um selo do tipo “multi-atributos”.

Além dos critérios ambientais, o Rótulo da ABNT considera de extrema importância a adequação ao uso, para garantir que sejam, além de ambientalmente corretos, produtos de qualidade.

É considerada a rotulagem mais eficiente e de maior credibilidade para demonstrar o comprometimento com o meio ambiente.

Os critérios que um produto deve atender para obter o Rótulo Ecológico da ABNT estão disponíveis no site do programa (www.abntonline.com.br/sustentabilidade), e são abertos a consulta pública no momento da sua elaboração e revisão, demonstrando a transparência e a credibilidade do processo.

Portanto, a principal ação que o consumidor pode e deve tomar é se tornar um consumidor consciente, ou seja, é pesquisar e se informar sobre a mensagem, o organismo e os critérios por trás daquela imagem nas embalagens dos produtos. Para saber mais informações entre em contato pelo e-mail: sustentabilidade@abnt.org.br.

Para exemplificarmos o problema com a falta de transparência das empresas, reproduzimos abaixo, um treco de uma matéria veiculada no site Página 22, que fez uma pesquisa justamente sobre o tema. Confira:

LINHA DIRETA

Os canais de um relacionamento mais transparente não se restringem aos relatórios de sustentabilidade impressos ou disponíveis online, à presença nas redes sociais e às ações de engajamento junto a fornecedores ou clientes.

A interação ocorre ainda por meio dos rótulos dos produtos, como os da Natura. “Como empresa global de impacto positivo, não fazemos testes em animais, praticamos o comércio justo, somos carbono neutro e mais de 80% do nosso portfólio de produtos é vegano – pilares reforçados por símbolos nas embalagens”, afirma a diretora de atendimento da empresa de cosméticos, Paula Pimenta.

Mas, em muitos casos no mercado, “falta clareza sobre o que é ou não sustentável e a informação positiva é colocada apenas como prática para atrair a compra”, adverte Letícia Bonani, pesquisadora em sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Uma pesquisa realizada no fim de 2018 com produtos de limpeza e utilidades domésticas, higiene e cuidados pessoais em supermercados do Rio de Janeiro e São Paulo, revelou o risco de greenwashing, proibido pela legislação. “O problema está principalmente em símbolos inadequados e informações vagas dos rótulos, como ‘amigo do meio ambiente’, ‘ecológico’ e ‘sustentável’”, revela Bonani.

[Participaram da pesquisa 4.686 consumidores. Do total, 47,3% não comprariam produtos envolvidos com escândalos ambientais, trabalho escravo e falta de transparência, e 10,3% nunca pensaram sobre isso.]

Em paralelo, uma enquete online realizada com exclusividade pelo Reclame Aqui para a Página22, entre 21 e 23 de setembro, mostra que a maioria dos consumidores (60,8%) deixaria de comprar produtos não sustentáveis e gostaria de conhecer melhor as marcas com essa pegada (66,5%). No entanto, mais da metade (52,2%) acha que as empresas escondem informações importantes sobre a origem da matéria-prima (ver quadro abaixo).


Quadro – O consumidor e a transparência

1. Você deixaria de comprar um produto se ele não fosse sustentável?

   Sim – 60,8%

   Não – 39,2%

2. Se uma marca se preocupa com sustentabilidade (reaproveitamento de água, reciclagem de materiais, engajada em projeto etc.), qual o impacto disso pra você?

    Tem meu respeito, me interesso em conhecer – 66,5%

    Confio muito, compro dela – 21%

    Não faz diferença na hora da compra – 12,5%

3. Você considera que as empresas são claras quanto à origem dos seus produtos?

    Não, escondem informações importantes – 52,2%

    Podem deixar mais claras e visíveis, e não em letras pequenas – 40,8%

    Sim, as informações estão todas nas embalagens – 7%

4. Se uma marca se envolve em problemas com meio ambiente, trabalho escravo, falta de transparência em sua comunicação, você deixa de consumir os seus produtos?

    Depende; se for comprovado, deixo de comprar – 47,3%

    Sim, não compro de empresas envolvidas em escândalos – 36,8%

    Nunca pensei sobre isso – 10,3%

    Não, isso não muda a qualidade do produto – 5,6%

Obs.: A enquete foi feita para a Página22, de 21 a 23 de setembro, com 4.686 consumidores.

Fontes:

Página 22 – Do Micro ao Macro (http://pagina22.com.br/2019/10/15/do-micro-ao-macro/);

Vinicius Ribeiro. Novos Programas do Rótulo Ecológico da ABNT: Produtos e Serviços de Limpeza com Qualidade Ambiental. Disponível em: http://www.abnt.org.br/noticias/4829-novos-programas-do-rotulo-ecologico-da-abnt-produtos-e-servicos-de-limpeza-com-qualidade-ambiental;

Renata Menezes Rocha e Isabel de Araujo Sbragia. 2016. A Rotulagem Ambiental e o Consumidor. Disponível em: http://www.abntonline.com.br/sustentabilidade/(S(yea1vrzubxgte4x3lnrcjima))//Noticia?id=67.