A próxima década poderá marcar, finalmente, a efetiva adoção da metodologia BIM (Building Information Modelling) no Brasil, resultandoem novo cenário da construção civil e maior transparência nas obras públicas. Por enquanto, há inúmeros desafios e o esforço de órgãos públicos e entidades privadas para atingir esse objetivo, como mostrou o primeiro encontro da Frente Parlamentar em Defesa do Sistema de Modelagem da Informação da Construção - BIM, realizado no dia 19 de agosto, nocanal da Frente Parlamentar BIM no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=M-mmUiroulE).

Com o tema “Estratégias para implementação do BIM no Brasil”, o evento foi conduzido pelo coordenador-executivo da Frente Parlamentar do BIM, Washington Luke e teve a participação do coordenador da Comissão de Estudo Especial de Modelagem de Informação da Construção Civil - BIM (ABNT/CEE-134), Rogério Moreira, supervisor de Projetos e Tecnologia no Instituto Senai de Tecnologia em Construção Civil do Senai-SP.

Moreira apresentou o panorama geral da normalização do BIM, com destaque para as normas que compõem o Sistema de Classificação da Informação da Construção, as quais têm sido desenvolvidas e publicadas em partes. Citou também o conjunto de normas de requisitos de objetos para BIM, com 19 partes, algumas em estágio de conclusão e com publicação prevista para 2021.

A primeira apresentação do encontro foi feita pelo presidente da Frente Parlamentar do BIM, deputado federal Hildo Rocha. Na sequência falaram Fernanda Elias, coordenadora da Secretaria Executiva do Ministério da Infraestrutura; Sylvio Mode, presidente da empresa Autodesk; André Kuhn, presidente da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias, da qual Washngton Luke é superintendente de Inteligência e Prospecção; e Antonio Miranda, professor na Universidade de Brasília (UnB).

Criada em 2019, a Frente Parlamentar o BIM defende que é imprescindível para o País a adoção de novas tecnologias para vencer o atraso e nesse sentido o grande desafio é a implementação do BIM. A metodologia aumenta a confiabilidade nas estimativas de custos e no cumprimento dos prazos, reduz a incidência de erros e imprevistos, garante maior transparência no processo de compra e confere maior qualidade às obras, alinhando-se por isso à Estratégia BIM BR, estabelecida pelo Decreto 9.983/2019.

Dificuldades

Fernanda Elias lamentou a falta de recursos para o programa de implementação do BIM no Ministério da Infraestrutura, pois recebe investimento de apenas 2% do PIB, quando o ideal seria chegar a 5%. Ela definiu o cenário atual como desesperador, exigindo ganhos de eficiência e redução do tempo das obras. Mas está em andamento o Projeto BIM-Infra, que envolve Secretarias Especiais e, entre outras metas, inclui a atualização de normas, a modernização do parque tecnológico e a capacitação do corpo técnico. A fase atual é de diagnóstico.

Sylvio Mode, por sua vez, afirmou que a Autodesk trabalha há 10 anos junto a órgãos governamentais e vê-se diante de recursos finitos e mão de obra escassa. Alertou que hoje há muito desperdício e a forma de mudar a situação é fazer melhor, usando a Tecnologia da Informação para automatizar e dar soluções diferentes.

O presidente da Valec, André Kuhn, ressaltou a necessidade de se melhorar a qualidade dos projetos para que seja bem aplicado o dinheiro arrecadado em impostos, o que será possível com a implementação do BIM, cuidadosamente e por etapas. Já o professor Antonio Miranda falou da importância do BIM no desenvolvimento de projetos encomendados pelo Ministério da Justiça para a construção de penitenciárias. O uso da tecnologia foi essencial para que se obtivessem resultados alinhados à Estratégia BIM-BR.